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Ao receber vereador Vinícius Pires, Vicentinho Júnior tensiona relação com a Prefeitura de Palmas

Notícias do Tocantins – Pré-candidato ao Governo do Tocantins, o deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB) entrou em uma zona de atrito com a Prefeitura de Palmas ao receber, em Brasília, o vereador Vinícius Pires (Republicanos), um dos nomes mais críticos à gestão do prefeito Eduardo Siqueira Campos (Podemos).

O encontro ocorreu em meio ao desgaste provocado pelas investigações sobre a terceirização das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da capital, caso que se tornou o principal foco de pressão política e administrativa sobre a gestão municipal. Vinícius Pires levou o assunto ao Tribunal de Contas da União (TCU), sob o argumento de que contratos envolvendo recursos públicos federais também devem ser analisados pelos órgãos de controle competentes.

Do ponto de vista institucional, a ida de um vereador ao TCU para apresentar questionamentos sobre a aplicação de recursos públicos está dentro do papel fiscalizador do mandato. Politicamente, porém, o gesto ganha outra dimensão quando ocorre com o apoio ou a proximidade de um deputado federal que mantém projeto eleitoral próprio para 2026 e que, até então, ainda preservava canais de diálogo dentro da administração palmense.

Movimento gera ruído no Paço

Nos bastidores da Prefeitura de Palmas, a aproximação foi interpretada por aliados do prefeito como um gesto de hostilidade política. A avaliação é que Vicentinho Júnior deixou de atuar apenas como interlocutor institucional e passou a se aproximar de uma das vozes mais duras contra a gestão Eduardo Siqueira Campos.

Vinícius Pires não é apenas um vereador de oposição. Ele tem sido um dos principais críticos da prefeitura no caso das UPAs e também se aproximou do vice-prefeito Carlos Velozo (Agir) em um dos momentos mais delicados da gestão, durante o período em que Eduardo Siqueira Campos ficou afastado do cargo.

Por isso, a imagem do encontro em Brasília passou a ser lida por integrantes do Paço Municipal como um sinal político. Para esse grupo, Vicentinho teria assumido o risco de transformar uma pauta administrativa e de controle externo em um movimento com repercussão eleitoral.

De aliado estratégico a fator de desconfiança

A relação entre Vicentinho Júnior e a gestão de Palmas tinha peso político relevante. Durante a formação do governo municipal, o deputado manteve influência em espaços da administração, inclusive com a presença de seu pai, o ex-senador Vicentinho Alves, na estrutura da prefeitura.

Essa inserção representava um ativo importante para o parlamentar, especialmente em um cenário de pré-campanha estadual. Embora o prefeito Eduardo Siqueira Campos esteja alinhado politicamente a outro projeto para o Governo do Tocantins, Vicentinho ainda mantinha aberta uma ponte com a gestão.

O encontro com Vinícius Pires, porém, colocou essa relação sob pressão. A partir de agora, a tendência é que aliados do prefeito passem a tratar com maior cautela qualquer movimentação ligada ao grupo de Vicentinho dentro da administração.

Vicentinho miniza encontro

Vicentinho Júnior, por sua vez, sustenta que não há irregularidade em receber um vereador que busca informações sobre um tema envolvendo recursos federais. A defesa é de que a fiscalização das UPAs não pode ser tratada como constrangimento político, mas como exercício legítimo do mandato. 

O peso da capital na disputa estadual

Palmas é o maior colégio eleitoral do Tocantins e tem papel estratégico em qualquer projeto estadual. Por isso, movimentos dentro da capital dificilmente ficam restritos ao plano municipal. Toda crise local, quando envolve lideranças com projeção estadual, passa a ter impacto direto na montagem de alianças para 2026.

Crise das UPAs vira peça do tabuleiro político

A Operação Falsa Emergência já havia colocado a gestão de Eduardo Siqueira Campos sob forte pressão administrativa e política. Com a entrada de atores da disputa estadual no entorno do caso, a crise ganha nova camada.

O desfecho jurídico dependerá das investigações e das decisões dos órgãos competentes. O desfecho político, porém, já começou a produzir efeitos.

No cenário atual, a crise das UPAs deixou de ser apenas um problema da saúde municipal. Passou a ser também um teste de força, lealdade e posicionamento no tabuleiro que antecede a eleição de 2026.

Fonte: AF Noticias