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Moradores denunciam destruição de área histórica para facilitar acesso de ônibus de cantora

Notícias do Tocantins – Moradores de Tocantinópolis, no Bico do Papagaio, denunciam que parte do Espaço Cultural Beira-Rio, conhecido como Praça do Cais, foi demolida durante intervenções realizadas pela Prefeitura às margens do Rio Tocantins. Segundo os relatos, as mudanças teriam como objetivo ampliar o acesso ao palco montado para as comemorações dos 168 anos do município, que terão a cantora Joelma como principal atração no dia 27 de julho.

Vídeos gravados por moradores mostram máquinas quebrando bancos, retirando trechos do piso e modificando parte da estrutura da praça. Os denunciantes afirmam ainda que árvores e canteiros foram removidos durante os trabalhos.

A moradora Nayane Januário disse que a comunidade foi surpreendida pelo barulho das máquinas na tarde de terça-feira, 30 de junho. Segundo ela, um funcionário que atuava no local teria informado que a abertura seria necessária para permitir a passagem do ônibus que transportará a artista até as proximidades do palco.

“Destruíram os bancos da praça, tiraram os pés de ipê que tinham sido plantados. Eu perguntei a um funcionário, e ele disse: ‘Porque o ônibus que vai trazer a artista principal para a festa de aniversário da cidade não tem como passar nessa rua. Tem que descer próximo ao palco’. Para uma festa de uma hora, você derruba uma estrutura de mais de 70 anos?”, questionou.

O relato apresentado pela moradora não foi confirmado pela Prefeitura. Na manifestação divulgada pelo município, a administração negou que as intervenções tenham como finalidade exclusiva facilitar o acesso do veículo da cantora e afirmou que as obras fazem parte de adequações para a realização de eventos.

Moradores cobram preservação de área histórica

Para os moradores, o espaço faz parte da história de Tocantinópolis e deveria passar por intervenções acompanhadas de planejamento, transparência e consulta à comunidade.

“Se o trator que está derrubando um patrimônio é da prefeitura, a quem a gente pode recorrer, se a própria Secretaria do Meio Ambiente está provocando essa devastação? É um espaço pequeno e, por isso, eles estão tendo que fazer essa abertura para o ônibus passar, porque a rua é estreita. É uma parte histórica da cidade, uma parte antiga”, afirmou Nayane.

Além das intervenções recentes, os moradores reclamam de problemas antigos no local, como falta de manutenção, estruturas deterioradas e acúmulo de lixo às margens do Rio Tocantins.

Segundo os relatos, melhorias permanentes são pouco frequentes e as ações de recuperação costumam ocorrer principalmente durante a temporada de veraneio ou às vésperas de grandes eventos.

A retirada de árvores e de canteiros cultivados pelos próprios moradores ao longo dos anos também ampliou a insatisfação. Eles afirmam que, até o início dos trabalhos, nenhum projeto técnico, cronograma ou detalhamento das intervenções havia sido apresentado à comunidade.

Foto: Reprodução

Prefeitura nega destruição e aponta melhorias

Em nota divulgada nas redes sociais, a Prefeitura de Tocantinópolis negou que o Espaço Cultural Beira-Rio esteja sendo destruído. Segundo a administração, o local passa por melhorias destinadas a ampliar a acessibilidade, a segurança, a organização e o conforto durante os grandes eventos realizados no município.

A Prefeitura informou que as intervenções incluem adequações nos acessos ao palco, melhorias para pessoas com mobilidade reduzida, organização das áreas destinadas a camarins e banheiros químicos, além de reforço na iluminação e na segurança.

O município também afirmou que está elaborando um projeto de revitalização completa da Beira-Rio, com a proposta de preservar a história do espaço e, ao mesmo tempo, torná-lo mais funcional.

Ainda conforme a nota, os serviços são executados com responsabilidade e respeito ao patrimônio público, visando melhorar a estrutura destinada aos moradores e visitantes.

Os denunciantes, porém, contestam a versão oficial. Eles alegam que a manifestação da Prefeitura ocorreu somente após a repercussão dos vídeos e das críticas nas redes sociais. Também cobram a apresentação pública do projeto técnico, das autorizações ambientais e do cronograma das obras anunciadas para o local.

Fonte: AF Noticias