Casamento comunitário transforma histórias de 80 casais em novos começos em Araguaína
Notícias do Tocantins – Uma noite de emoção, recomeços e promessas marcou a união de 80 casais em Araguaína, durante o encerramento da 3ª edição do Mutirão Pop Rua Jud, nesta sexta-feira (17). Diante de familiares e autoridades, 160 noivos e noivas disseram “sim” em uma cerimônia coletiva que foi além da formalidade: simbolizou dignidade, pertencimento e o reconhecimento oficial de histórias que já existiam no coração.
No auditório da Escola de Tempo Integral Jardenir Jorge Frederico, no setor Maracanã, o cenário foi de olhares marejados e mãos entrelaçadas. Entre papéis e registros conduzidos por servidores do Judiciário e do cartório civil, o que se via era o fim da chamada “invisibilidade civil” — uma condição que, para muitos, deixava suas famílias à margem da proteção legal.
Coordenado pela desembargadora Ângela Prudente, o casamento comunitário reuniu diferentes gerações e trajetórias. Casais com poucos meses de relacionamento dividiram espaço com outros que já caminhavam juntos há décadas, mostrando que o tempo pode variar — mas o desejo de oficializar o amor é o mesmo.
“Este casamento é o símbolo máximo de inclusão. Ele retira da invisibilidade o sentimento mais nobre, garantindo que o direito de constituir uma família seja pleno e protegido pelo Estado”, afirmou a magistrada, visivelmente emocionada. “Vocês não estão apenas mudando o estado civil. Estão reafirmando compromisso de parceria, de cuidado e de lealdade”, completou.
Do amor de anos ao “sim” esperado
Entre as histórias que chamaram atenção está a de Lívia Viana Dias, 36, e Fábio Modesto Silva, 44. Após 15 anos de união estável e três filhos, o casal decidiu oficializar a relação. “Era hora de fazer as pazes com a consciência e com Deus”, disse Lívia. Para Fábio, o momento também representa uma reafirmação de fé e companheirismo construído ao longo dos anos.

Com três filhos como testemunhas, o casal se conheceu em um almoço de amigos, em Nova Olinda, uma cidade próxima, e logo passou a viver juntos. Agora, decidiu que era hora de “fazer as pazes com a consciência e com Deus”, como revelou a noiva, evangélica. Ela diz que o casamento celebra a oficialização de uma vida inteira de companheirismo. Para o noivo, católico, o ato também é uma reafirmação de fé.
No outro extremo do tempo entre o conhecer e o decidir pelo casamento, estão Bianca Alves Nery, 19, e Micaias Pereira Rodrigues, 21. Nesse caso, a tecnologia serviu de cupido aos jovens. Iniciado pelo Twitter (atual X), o romance se consolidou após um encontro, uma semana depois, para comer pastel. E levou apenas três meses para chegar ao altar.

“Eu tinha perdido as esperanças de encontrar alguém leal”, confessa Micaias, evangélico que vê no casamento um mandamento de fé e o início de uma vida de responsabilidades compartilhadas. “Com dois meses, ele me pediu em casamento e hoje, com três meses, a gente vai casar”, resumiu a noiva, também evangélica, ao reafirmar o fundamento religioso para se unirem em matrimônio com tão pouco tempo de convívio.
O amor na maturidade também encontrou espaço no mutirão Pop Rua Jud, como revela a história de Maria de Lourdes Resplandes Araújo, 72, e Joaquim Pereira de Souza, 77. Os dois comprovam que nunca é tarde para buscar e encontrar companhia.

Ela estava divorciada havia mais de 20 anos de uma união que rendeu dez filhos. Ele era o vizinho que havia se mudado para o bairro Itatiaia após uma separação da primeira união e também estava solitário havia um tempo. Agora, ele diz ter encontrado em Maria a parceira ideal para os dias de “perfeição que vive hoje”. Estão juntos há dois anos e decidiram unir seus caminhos. Ela lembra que quando contou aos filhos que se casaria, o mais velho veio de Goiânia com a esposa e filhos, para testemunhar o recomeço da matriarca.
Maria de Nazaré da Silva Mourão, 21, e Bruno Barbosa da Silva, 22, começaram a namorar ainda na escola, entre o 9º ano do ensino fundamental e o primeiro ano do ensino médio. Decidiram morar juntos e, agora, viram no casamento comunitário a realização de um sonho que a condição financeira antes não permitia. A busca pela paz espiritual também os move. “A gente é evangélico e a gente quer fechar a brecha que tem perante Deus”, afirmou a noiva, orgulhosa por oficializar a união da família que já conta com duas filhas pequenas.

Impacto social e fortalecimento de vínculos
Autoridades presentes ressaltaram o impacto social da iniciativa. A secretária municipal da Mulher, Suzana Salazar, que também atuou como celebrante, destacou que a vida a dois exige diálogo e capacidade de perdoar.
Idealizador do projeto na comarca, o juiz Deusamar Alves Bezerra celebrou a consolidação da iniciativa. “É uma alegria ver que as pessoas acreditam no projeto e encontram aqui a felicidade”, afirmou, lembrando que esta já é a sétima edição do casamento comunitário na cidade.
O diretor do foro local, juiz Fabiano Ribeiro, reforçou o papel da família: “É nela que a gente aprende os primeiros valores e o respeito ao próximo”.
Entre documentos assinados e alianças trocadas, o que ficou evidente foi que, mais do que um ato formal, o casamento coletivo representou a oficialização de laços que já resistiram ao tempo, às dificuldades e às circunstâncias — agora, reconhecidos também pela lei.
Dispositivo de honra
A mesa de honra que prestigiou a celebração era composta pela coordenadora do Comitê Pop Rua Jud Tocantins, desembargadora Ângela Prudente, representando também a presidente do TJTO, desembargadora Maysa Vendramini Rosal; a juíza vice-coordenadora do comitê, Rosa Maria Gazire Rossi; o diretor do Foro local, Fabiano Ribeiro; o coordenador do Cejusc, Deusamar Alves Bezerra; a representante da Asmeto, Julianne Freire Marques; o defensor público Lauro Simões de Castro Bisnetto; o representante da OAB-Araguaína, Marcos Paulo Goulart Machado; a secretária da Mulher e celebrante, Suzana Salazar, representando também o prefeito Vagner Rodrigues; o oficial de registro Rodrigo Signori Grigolin; os juízes de paz Elizabeth Rodrigues Vera e Edison Sousa; e a ouvidora do TRE-TO, juíza Edssandra Barbosa.
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Fonte: AF Noticias
