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Clima esquenta entre Leo Barbosa e Júnior Geo: ‘papai puxou a orelha’ x ‘não tenho medo de tu’

Notícias do Tocantins – Um debate sobre medidas provisórias do governo estadual terminou em troca de ataques pessoais entre os deputados estaduais Júnior Geo (PSDB) e Leo Barbosa (Republicanos), filho do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), durante sessão da Assembleia Legislativa do Tocantins (Aleto), na manhã desta terça-feira (19).

O embate ocorreu em meio à discussão sobre o impasse envolvendo as Medidas Provisórias nº 20 e 21, editadas pelo governo após alterações promovidas pela própria Assembleia em projetos relacionados a gratificações e indenizações de servidores públicos.

A discussão começou após pronunciamento do deputado Ivory de Lira (PCdoB), líder do governo, que pediu que o plenário analisasse recurso encaminhado pelo Executivo contra a devolução das MPs pela presidência da Aleto. Segundo ele, havia uma divergência jurídica entre a Procuradoria da Assembleia e a Procuradoria-Geral do Estado sobre a tramitação das matérias.

“Estamos vivendo uma divergência de entendimento jurídico”, afirmou Ivory ao defender que o recurso fosse submetido ao plenário.

Leo Barbosa defende governo e critica emendas

Na sequência, Leo Barbosa afirmou que a Assembleia havia cometido erro ao aprovar emendas parlamentares que ampliavam despesas em matérias de iniciativa exclusiva do Executivo.

“Todos nós erramos ao aprovar”, declarou o deputado, ao sustentar que parlamentares não poderiam propor alterações com impacto financeiro sem respaldo técnico do governo. O vice-presidente da Aleto também afirmou que não aceitaria que o governo fosse transformado em “vilão” da discussão.

“Não podemos culpar o governo e transformar o governo em vilão”, disse.

Após outras manifestações de parlamentares sobre o impasse jurídico e constitucional envolvendo as MPs, Júnior Geo voltou à tribuna e passou a criticar a ausência de estudos de impacto orçamentário-financeiro nas matérias enviadas pelo Executivo estadual.

“Desde 2023 o atual governador encaminha sequência e sequência de matérias sem estudo de impacto orçamentário”, afirmou.

Na sequência, Geo direcionou críticas diretamente a Leo Barbosa, citando o fato de o parlamentar ter presidido a sessão em que as emendas foram aprovadas.

“Presidiu a Casa no momento da votação, aprovou por unanimidade. Papai puxou a orelha e vem aqui fazer discurso”, disparou.

Leo reage e eleva tom do confronto

A fala provocou reação imediata de Leo Barbosa, que pediu novamente a palavra e afirmou estar incomodado com a forma como vinha sendo tratado por Júnior Geo.

“Tem me incomodado a maneira com que o deputado Júnior Geo tem se referido a mim em diversos momentos”, declarou.

Leo também rebateu as referências à relação familiar com o governador Wanderlei Barbosa. “A relação familiar com meu pai vai existir sempre, porque eu tenho orgulho da nossa história”, afirmou.

O deputado ainda acusou Geo de personalizar os embates políticos e eleitorais. “Não sei se é porque nós não ajudamos ele para prefeito. Não sei se é porque eu já ganhei todas as eleições que disputei contra ele. Ele tem uma fixação em mim muito clara”, disse.

Em tom de confronto, Leo encerrou a fala com um recado direto ao colega: “Se quiser respeito, trate com respeito. Do contrário, nós vamos do jeito que você quiser, porque não tenho medo de tu, pô!”

Geo rebate: “Está no lugar errado”

Após nova manifestação de parlamentares, Júnior Geo voltou à tribuna e intensificou as críticas contra Leo Barbosa. “Eu queria falar para o filho do governador, infelizmente filho do governador”, iniciou.

Geo afirmou que o colega estaria confundindo a função parlamentar com a defesa política do pai. “Ele se doeu e foi defender o pai. A função do deputado estadual é fiscalizar o governador. Ele, enquanto filho, não faz isso. Está aqui para defender o próprio pai”, afirmou.

O deputado tucano ainda provocou Leo ao insinuar disputas internas dentro do grupo político do governador visando as eleições de 2026.

“Mesmo se o governador tivesse renunciado, ele seria preterido porque a escolha do governador seria sua esposa para candidata a deputada federal”, declarou.

Discussão ocorreu em meio a crise entre governo e Assembleia

O bate-boca ocorreu durante uma longa discussão sobre o impasse envolvendo as MPs nº 20 e 21, que tratam de benefícios financeiros a servidores estaduais.

As medidas foram devolvidas pela presidência da Assembleia sob argumento de “irrepetibilidade”, princípio que impede a reapresentação de matérias com conteúdo idêntico na mesma sessão legislativa.

O governo estadual tentava reverter a decisão e busca retomar a tramitação das propostas.

Durante a sessão, o presidente da Aleto, Amélio Cayres, afirmou que não poderia descumprir o regimento interno da Casa e sugeriu, inclusive, que o governo recorresse ao Judiciário para resolver o impasse.

Veto do Profe foi mantido

Horas após a troca de farpas, a Assembleia manteve, por 16 votos favoráveis, o veto parcial do governo ao projeto do Programa de Fortalecimento da Educação (Profe).

O principal ponto de divergência envolvia emenda apresentada por Júnior Geo que ampliava gratificações para professores contratados temporariamente, além de psicólogos, assistentes sociais e psicopedagogos.

O governo alegou inconstitucionalidade e ausência de estudo de impacto financeiro, tese que acabou prevalecendo na votação em plenário.

Fonte: AF Noticias