Contador foragido volta à mira da polícia em operação por fraude de R$ 26 milhões no Tocantins
Notícias do Tocantins – O contador Paulo Cesar Maciel dos Santos, foragido da Justiça e investigado em um esquema de fraude tributária que teria causado prejuízo superior a R$ 55,9 milhões ao Tocantins, voltou a aparecer em uma nova investigação da Polícia Civil.
Desta vez, ele é apontado como um dos investigados da Operação Vital, que apura um suposto esquema de sonegação de ICMS, falsidade ideológica, associação criminosa e lavagem de dinheiro. O prejuízo estimado aos cofres públicos estaduais ultrapassa R$ 26,4 milhões.
Paulo Cesar está foragido desde a deflagração da Operação El Dourado, que investiga fraudes fiscais envolvendo empresas de fachada no comércio de grãos e insumos agropecuários. Segundo a Polícia Civil, o contador também teria desempenhado papel relevante no novo esquema, desta vez relacionado ao comércio de bebidas e energéticos.
A Operação Vital foi deflagrada na manhã desta sexta-feira (26) pela Divisão Especializada de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DRCOT). Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em Palmas e Gurupi.
Durante uma das diligências na capital, um dos investigados foi preso em flagrante após os policiais localizarem uma pistola calibre 9 milímetros mantida irregularmente na residência.
Empresas de fachada e “laranjas”
De acordo com a investigação, o grupo utilizava empresas registradas em Gurupi para concentrar elevados débitos tributários e esconder os verdadeiros responsáveis pelas operações comerciais.
As empresas realizavam compras interestaduais de grandes volumes de bebidas alcoólicas e energéticos, mas deixavam de transmitir a Escrituração Fiscal Digital, documento obrigatório para o controle das operações e da arrecadação do ICMS.
As apurações também identificaram o uso de pessoas em situação de vulnerabilidade como supostos “laranjas”.
Um dos sócios aparecia formalmente como proprietário de uma distribuidora com capital social de R$ 500 mil, embora trabalhasse como motorista de caminhão e, segundo a Polícia Civil, apresentasse renda incompatível com o porte da empresa.
Outro sócio possui antecedentes por furto e roubo e, conforme a investigação, vive atualmente em situação de rua.
Cargas teriam sido desviadas para Palmas
Segundo a DRCOT, as cargas eram formalmente destinadas a empresas sediadas em Gurupi, mas teriam sido desviadas para Palmas antes mesmo de chegarem aos endereços indicados na documentação fiscal.
Para os investigadores, a estratégia dificultava a fiscalização tributária e beneficiava uma empresa instalada na capital, apontada como a principal destinatária das mercadorias.
A investigação também indica que um dos administradores utilizava procurações públicas para controlar diferentes empresas e emitir documentos fiscais supostamente fraudulentos, com a participação de profissionais da área contábil.
Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos computadores, aparelhos celulares e documentos contábeis, fiscais e societários. O material será submetido à perícia.
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Contador já é investigado em outra operação
Conforme a Polícia Civil, Paulo Cesar Maciel dos Santos teria desempenhado papel importante na operacionalização do esquema investigado pela Operação Vital.
O contador também é investigado na Operação El Dourado, que apura um suposto esquema de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e utilização de empresas de fachada no setor do agronegócio.
Naquela investigação, Paulo Cesar foi apontado pela Polícia Civil como líder do grupo e operador financeiro da estrutura. O prejuízo estimado aos cofres estaduais ultrapassa R$ 55,9 milhões.
A apuração identificou ainda o uso de terceiros para abertura de empresas, empréstimo de documentos e realização de reconhecimento facial em instituições financeiras para a movimentação de contas bancárias supostamente utilizadas nas fraudes.
A Justiça determinou o bloqueio de contas, veículos e imóveis ligados aos investigados, com limite de até R$ 56,7 milhões. Paulo Cesar permanece foragido.
Investigação continua
O inquérito da Operação Vital segue em andamento. A Polícia Civil pretende aprofundar a análise do material apreendido, esclarecer a sucessão societária das empresas e identificar outros possíveis participantes.
A corporação investiga se empresas de fachada, procurações, documentos fiscais e pessoas utilizadas como “laranjas” serviram para ocultar os verdadeiros beneficiários das operações e evitar o pagamento de milhões de reais em impostos.
A reportagem não localizou a defesa de Paulo Cesar Maciel dos Santos. O espaço permanece aberto para manifestação.
Fonte: AF Noticias

