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EDITORIAL | Tocantins não é balcão de negócios nem trampolim eleitoral: mandato não pode ser comprado

EDITORIAL | Por ser um Estado jovem, pequeno em população e com disputas eleitorais menos caras do que nos grandes centros, o Tocantins passou a ser visto por alguns aventureiros como um terreno fácil para conquistar mandato.

Gente que nunca viveu aqui, não conhece nossas cidades, não construiu relações com a população e jamais participou das lutas do Estado aparece em época de eleição com dinheiro, estrutura e propaganda. De repente, tenta fabricar uma ligação com o Tocantins que nunca existiu.

É preciso dizer com todas as letras: o Tocantins não pode continuar sendo tratado como um atalho político.

Não há problema em alguém nascer fora do Estado e escolher viver, trabalhar e construir sua história aqui. O Tocantins sempre recebeu pessoas de todas as regiões do Brasil. O problema é chegar apenas na eleição, investir pesado, conquistar um mandato e depois usar o Estado como trampolim para projetos pessoais.

Mandato não pode ser comprado.

Representação política precisa ser construída com trabalho, presença, compromisso e resultados. Quem deseja representar o Tocantins precisa conhecer seus problemas, visitar seus municípios, ouvir a população e apresentar uma história verdadeira de contribuição ao Estado.

Também é necessário perguntar de onde vem o dinheiro que sustenta determinadas campanhas milionárias. Quem financia? Quais interesses estão por trás? O que será cobrado depois da eleição?

Quando o poder econômico substitui o debate de ideias, a democracia fica desequilibrada. O candidato com mais dinheiro consegue ocupar espaços, dominar a propaganda e criar uma imagem que nem sempre corresponde à realidade.

Mas existe uma barreira capaz de impedir essa prática: o eleitor.

É o voto consciente que pode rejeitar candidaturas fabricadas, projetos oportunistas e políticos que só lembram do Tocantins durante o período eleitoral.

Antes de votar, o cidadão precisa investigar a trajetória do candidato. Onde ele estava nos últimos anos? O que fez pelo Estado? Quais causas defendeu? Que resultados entregou? E por que resolveu aparecer justamente agora?

O Tocantins não precisa de donos, investidores eleitorais ou aventureiros em busca de mandato.

Precisa de representantes que respeitem sua gente, defendam seus interesses e permaneçam ao lado da população depois que as urnas forem fechadas.

O Estado não pode ser usado como “step”, como disse César Halum.

O Tocantins não é degrau para ninguém.

É a nossa casa. E somente o eleitor pode impedir que ela continue sendo colocada à venda.

Fonte: AF Noticias