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Mecânicas de jogos migram para aplicativos de varejo e bancos no Brasil

A gamificação, prática de aplicar mecânicas típicas de jogos a contextos fora do entretenimento, deixou de ser recurso pontual e passou a fazer parte da rotina de aplicativos de varejo e serviços financeiros no Brasil. Pontuação, níveis e recompensas por metas cumpridas aparecem hoje em programas de fidelidade de redes de varejo, com aumento de até 40% na frequência de compra entre usuários engajados nesses sistemas,segundo artigo assinado pela CMO de uma empresa de fidelização e gamificação. O mesmo artigo aponta reflexos também na redução da evasão de clientes ativos e no crescimento do valor médio gasto por compra entre os participantes desses programas.

De acordo com o mesmo material, soluções de gamificação hoje são acessíveis a redes de varejo de todos os portes, com sistemas de pontos, missões personalizadas e selos virtuais por comportamento recorrente entre os formatos mais utilizados. O mecanismo de risco e recompensa por trás dessa estratégia tem raiz direta nos jogos de cassino online. O jogo Aviator na KTO é um dos mais populares e ilustra bem essa lógica. O multiplicador da aposta começa em 1,00x e sobe enquanto o jogador escolhe o momento de retirar o valor, antes que a rodada termine de forma abrupta. Essa dinâmica de decisão instantânea, baseada em progresso visível e risco crescente, é a mesma lógica que hoje inspira o design de programas de pontos e recompensas fora do universo dos jogos.

Fora do ambiente de jogo, esse tipo de mecânica já apareceu em programas como o antigo Starbucks Rewards, que chegou a usar acúmulo de pontos e avanço por níveis para reter clientes no Brasil, com bebidas gratuitas e personalização de pedidos liberadas a cada patamar alcançado — o programa foi descontinuado no país em 2024 . Bancos e fintechs brasileiras também têm testado formatos semelhantes, unindo pontuação, desafios e progressão por níveis a serviços financeiros digitais para manter correntistas engajados no aplicativo. A mesma lógica também é aplicada internamente por empresas para aumentar a participação e a produtividade de equipes, unindo pontuação e desafios a treinamentos corporativos.

O movimento também aparece fora dos grandes centros urbanos. Uma startup de Gurupi, no Tocantins, chegou recentemente à final de um dos maiores prêmios de inovação educacional da América Latina depois de desenvolver uma plataforma com inteligência artificial voltada à gestão escolar, mostrando que o interior do país também investe em tecnologia aplicada a experiências digitais. A empresa, batizada de EMS Company, nasceu em 2025 após vencer um hackathon promovido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em parceria com a Prefeitura de Gurupi. A equipe por trás do projeto disputou a etapa final do prêmio, realizada em 7 de maio de 2026, no Expo Center Norte, em São Paulo.

Fonte: AF Noticias