Médico acusa secretário de agressão após impasse por medicação e caso vai parar na delegacia
Notícias do Tocantins – O médico Johny César denunciou ter sido agredido, junto com a esposa, dentro de uma unidade de saúde de Bandeirantes do Tocantins, após reclamar de uma suposta negativa de aplicação de medicação prescrita para a mulher, que estava em crise de dor provocada por endometriose. A ocorrência foi registrada na última sexta-feira (3).
Segundo o relato do profissional, a esposa foi levada à unidade para receber atendimento de urgência e passou por avaliação médica. A medicação teria sido prescrita por uma médica plantonista, mas, ao retornar à emergência, o casal foi informado pela equipe de enfermagem de que a aplicação não poderia ser feita por determinação do secretário municipal de Saúde.
“Segundo a própria enfermeira, o secretário tinha dito para não fazer a medicação”, afirmou Johny.
O médico disse que trabalhou por sete anos na unidade e conhece o fluxo de atendimento do local. Segundo ele, pacientes atendidos na emergência têm a ficha aberta no próprio setor, sem necessidade de retornar à recepção para passar novamente por triagem.
“Fomos atendido na emergência. A própria equipe de enfermagem nos levou até a médica na sala dela. Foi devidamente prescrita a medicação e, quando retornamos à emergência, a enfermeira nos comunicou que, por ordem do próprio secretário, ela não poderia fazer a medicação”, relatou.
Médico gravou vídeo de repúdio
Antes da confusão, Johny gravou um vídeo dentro da unidade de saúde relatando a situação. Nas imagens, ele afirma que havia levado a esposa para receber medicação contra dor, mas a aplicação teria sido momentaneamente impedida.
“Minha esposa está com endometriose, com dores intensas, e foi proibida momentaneamente pelo secretário de Saúde, que estava aqui na unidade, de fazer medicação”, disse no vídeo.
O médico também levantou a possibilidade de “marcação pessoal” e criticou a administração da Secretaria Municipal de Saúde.
“Isso aqui é um vídeo de repúdio pela administração do secretário de Saúde de Bandeirantes. Infelizmente, por marcação pessoal, talvez proibiram as meninas de fazerem as medicações que foram prescritas pela médica da unidade”, afirmou.
De acordo com Johny, após insistência, a medicação acabou sendo aplicada pela equipe de enfermagem.
Retorno à unidade terminou em agressão
Depois da repercussão do primeiro vídeo, o médico disse que procurou orientação de um advogado e decidiu retornar à unidade para solicitar o prontuário médico da esposa e o relatório da enfermagem, com o objetivo de adotar medidas legais.
Segundo ele, ao chegar novamente ao local, encontrou o secretário no corredor. Nesse momento, a esposa teria iniciado uma discussão verbal com o gestor.
“Nisso, quando chegamos na unidade, ele estava no corredor. Quando a gente foi passando, nos encarou, minha esposa começou a bater boca com ele. Aí foi quando ele partiu para cima da gente, dando vários golpes tanto em mim como na minha esposa”, relatou.
Johny disse que sofreu ferimentos no nariz e hematoma no ombro. Segundo ele, a esposa também foi atingida e teve lesão na orelha.
“Machucou meu nariz e a orelha dela. Eu tenho um hematoma no ombro dos golpes que ele deu”, declarou.
O médico disse que a confusão foi contida por pessoas que estavam na unidade, incluindo servidores e pacientes que teriam presenciado o episódio.
Boletins foram registrados na Polícia Civil
Após a confusão, as partes compareceram à 6ª Central de Atendimento da Polícia Civil, em Colinas do Tocantins, onde foram registrados boletins de ocorrência.
Um dos registros, feito às 17h59 do dia 3 de julho de 2026, aponta lesão corporal dolosa, prevista no artigo 129 do Código Penal. A ocorrência teria acontecido por volta das 16h, no estabelecimento de saúde de Bandeirantes do Tocantins.
Nesse boletim, aparecem como envolvidos o secretário municipal de Saúde, Sávio José dos Reis Rosa, e a esposa do médico, ambos classificados simultaneamente como vítima e suposto infrator.
Outro boletim, registrado às 19h43, trata de “outros fatos atípicos” e aponta a esposa de Johny como vítima e comunicante, tendo Sávio José como suposto autor/infrator. O fato teria ocorrido por volta das 14h20, também na unidade de saúde de Bandeirantes do Tocantins.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública do Tocantins informou que as partes foram ouvidas e que foi instaurado Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) pela prática de lesão corporal, considerando que ambos os envolvidos apresentavam lesões e passaram a figurar simultaneamente como autores e vítimas.
O procedimento foi encaminhado ao Poder Judiciário para as providências legais cabíveis.

Médico pede preservação de imagens
Johny afirmou que a unidade possui câmeras de segurança e pediu que as imagens sejam preservadas integralmente para apuração dos fatos.
“A unidade de saúde possui câmeras de segurança, e a preservação integral dessas imagens é absolutamente essencial para que os fatos sejam apurados com rigor e transparência, sem qualquer tipo de interferência ou manipulação”, declarou.
O médico informou que está adotando medidas legais, com acompanhamento jurídico, para que o caso seja investigado pelas autoridades competentes.
“Como uma unidade de saúde, que deveria representar cuidado, acolhimento e segurança, se transforma em um cenário de conflito e violência contra pacientes em situação de dor?”, questionou.
Ele também afirmou que nenhuma divergência administrativa ou ordem interna pode se sobrepor ao direito à saúde e à dignidade humana.
“O que aconteceu hoje não pode ser normalizado. Precisa ser apurado com seriedade, responsabilidade e total transparência”, disse.
Outro lado
A reportagem solicitou manifestação da Prefeitura de Bandeirantes do Tocantins e do secretário municipal de Saúde sobre as acusações feitas pelo médico e sobre quais medidas serão tomadas, mas ainda não obteve resposta. O espaço permanece aberto para posicionamento.
Fonte: AF Noticias

