
Morte de peixes em ribeirão de Guaraí: vistoria aponta amônia, nitrito e oxigênio em nível crítico
Notícias do Tocantins – Uma expressiva mortandade de peixes no Ribeirão Tranqueira, na zona rural de Guaraí, levou a Prefeitura a realizar uma vistoria ambiental que encontrou condições críticas na água e indícios de lançamento de efluentes com alta carga orgânica e tóxica. O relatório técnico municipal aponta como possível origem do impacto uma saída de esgoto proveniente de tanques de decantação da BRK, que chega a um córrego e, posteriormente, deságua no ribeirão.
A ocorrência foi registrada após as chuvas recentes na região. Técnicos da Secretaria Municipal de Agricultura, Meio Ambiente e Recursos Hídricos estiveram no local no domingo (6) para investigar a morte dos animais, coletar amostras e avaliar as condições ambientais do trecho afetado.
Os testes realizados justamente no ponto onde os peixes foram encontrados mortos revelaram um cenário considerado incompatível com condições adequadas para a fauna aquática.
O oxigênio dissolvido foi medido em apenas 0,8 mg/L. Segundo o próprio relatório, valores considerados adequados para rios e para o suporte à fauna ficam significativamente acima disso, entre 3 e 5 mg/L. A baixa concentração de oxigênio pode provocar sufocamento dos peixes.
Também foi identificada amônia em concentração de 2 ppm, classificada pelos técnicos como indicativa de forte pressão de poluição orgânica e elevada toxicidade para os peixes. O nitrito chegou a 1,75 ppm, resultado associado no documento à degradação avançada de matéria orgânica e poluição da água. O pH foi de 6,7, levemente ácido, mas próximo da neutralidade.
Mortandade ocorreu abaixo da entrada do córrego
Um dos pontos que mais chamaram a atenção durante a vistoria foi a distribuição dos peixes mortos ao longo do Ribeirão Tranqueira.
Conforme o relatório, a equipe identificou uma saída de esgoto proveniente de tanques de decantação da BRK em Guaraí. Esse material seria lançado em um córrego local, que depois desemboca no Ribeirão Tranqueira.
Os técnicos constataram que a mortandade ficou concentrada exatamente no trecho situado abaixo da entrada da água desse córrego. Para a equipe municipal, a localização do impacto, somada aos resultados das análises da água, indica uma possível relação entre a entrada da carga poluente, a queda acentuada do oxigênio e as elevadas concentrações de amônia e nitrito.
Apesar dos indícios encontrados, a responsabilização definitiva ainda depende do aprofundamento da investigação pelos órgãos ambientais competentes.
Relatório fala em “indícios contundentes”
Na conclusão, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente afirma que os dados coletados apontam “indícios contundentes” de lançamento de efluentes com alta carga orgânica e tóxica no sistema hídrico.
Segundo o documento, esse cenário teria provocado anoxia, que é a escassez crítica de oxigênio na água, e a consequente morte em massa dos peixes.
O relatório, acompanhado de registros fotográficos da vistoria, será encaminhado aos órgãos ambientais estaduais, entre eles o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), para aprofundamento da apuração e eventual adoção das medidas legais e de responsabilização.
As imagens anexadas ao documento mostram a equipe realizando medições diretamente no curso d’água, coleta de amostras e vistoria em diferentes pontos do córrego e do Ribeirão Tranqueira.
A apuração agora deverá esclarecer a origem exata do material identificado, se houve lançamento irregular de efluentes, em que quantidade e se existe relação direta entre esse despejo e a mortandade registrada.
Fonte: AF Noticias
