Motorista bêbado que matou dois motociclistas na BR-153 e fugiu a pé pode ir a júri popular
O motorista acusado de provocar a morte de dois motociclistas na BR-153, nas proximidades de Cariri do Tocantins, pode sentar no banco dos réus em um Tribunal do Júri. O Ministério Público do Tocantins (MPTO) pediu à Justiça que o caso seja julgado por júri popular, defendendo que o acusado responda por dois homicídios qualificados com dolo eventual, quando a pessoa assume o risco de matar, além do crime de fuga do local do acidente.
O pedido foi apresentado pelo promotor de Justiça Rafael Pinto Alamy nas alegações finais do processo. As vítimas foram identificadas como Jefferson Amâncio de Souza e Gilberto Rodrigues, que morreram ainda no local da colisão.
O acidente aconteceu no fim da tarde de 29 de novembro de 2025, em um trecho da BR-153 considerado de intenso fluxo de veículos. Conforme o MPTO, o acusado conduzia um Fiat Mobi após consumir grande quantidade de bebida alcoólica quando invadiu repentinamente a contramão da rodovia e atingiu de frente as duas motocicletas, que trafegavam regularmente no sentido oposto.
Com o impacto violento da batida, os dois motociclistas morreram na hora. Segundo a investigação, o motorista abandonou o local logo após o acidente e fugiu a pé sem prestar socorro. Os dois motociclistas foram identificados como Beto Rodrigues e Jefferson de Sousa. Eles tinham 29 e 31 anos.
MPTO quer manutenção das qualificadoras
Além de pedir que o acusado vá a júri popular, o Ministério Público também defendeu a manutenção das qualificadoras dos homicídios. Uma delas é a de recurso que dificultou a defesa das vítimas.
De acordo com o órgão, Jefferson e Gilberto foram surpreendidos pela invasão repentina da pista e não tiveram qualquer possibilidade de evitar a colisão.
O MPTO também sustenta que a fuga após o acidente configura crime previsto no Código de Trânsito Brasileiro, já que o motorista deixou o local sem prestar socorro às vítimas.
Testemunhas relataram invasão brusca da contramão
Uma das testemunhas ouvidas durante a investigação relatou que seguia atrás das motocicletas no momento do acidente e presenciou toda a dinâmica da colisão.
Segundo o depoimento, os motociclistas trafegavam de forma prudente, em velocidade compatível com a rodovia, quando o Fiat Mobi atravessou de maneira brusca para a contramão.
A testemunha ainda afirmou que não havia obstáculos na pista, problemas mecânicos aparentes ou qualquer outro veículo que justificasse a manobra repentina.
Outro relato considerado importante pelo Ministério Público foi o do passageiro que estava no carro. Ele confirmou que ambos haviam ingerido cerveja em um bar de Cariri do Tocantins pouco antes do acidente.
PRF encontrou sinais claros de embriaguez
Um policial rodoviário federal que atendeu a ocorrência afirmou que encontrou o acusado no hospital apresentando diversos sinais de embriaguez, entre eles forte odor etílico, fala arrastada, pupilas dilatadas e dificuldade de coordenação.
Ainda conforme o agente, o motorista se recusou a fazer o teste do bafômetro. Diante da recusa, os policiais lavraram termo de constatação de alteração da capacidade psicomotora.
Durante a perícia no veículo, também foram encontradas latas de cerveja e uma garrafa de vinho quebrada dentro do carro.
Para o Ministério Público, o conjunto de provas técnicas, testemunhais e periciais demonstra que o acusado assumiu conscientemente o risco de provocar uma tragédia ao dirigir alcoolizado em uma rodovia federal movimentada, motivo pelo qual o órgão pede que ele seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri.
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Fonte: AF Noticias
