
Obesidade não é falta de força de vontade e exige cuidado integral, alerta especialista
Notícias do Tocantins – O controle do peso envolve fatores que vão muito além da alimentação e da prática de atividade física. Sono, estresse, alterações hormonais, uso de medicamentos e mecanismos biológicos ligados à fome, à saciedade e ao gasto energético também podem interferir nesse processo.
No Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, celebrado em 11 de outubro, a endocrinologista da Rede Medical Thayssa Boechat chama atenção para a necessidade de abandonar a ideia de que o problema está relacionado apenas à falta de disciplina.
“A obesidade é uma doença crônica, complexa e multifatorial, e não uma simples consequência da falta de força de vontade. Fatores genéticos,hormonais, emocionais, ambientais e sociais também influenciam o peso. Duas pessoas podem ter hábitos semelhantes e apresentar respostas completamente diferentes”, afirma.
Segundo o Vigitel, do Ministério da Saúde, 25,7% dos adultos das capitais brasileiras e do Distrito Federal vivem com obesidade, enquanto o excesso de peso atinge 62,6%. Em menos de duas décadas, a proporção de pessoas com a doença mais que dobrou.
Hábitos que pesam
O ganho de peso nem sempre está ligado a grandes excessos. Consumo frequente de bebidas açucaradas ou alcoólicas, alimentos ultraprocessados, poucas oportunidades de movimento e refeições feitas diante da televisão ou do celular podem contribuir ao longo do tempo.
“Quando uma pessoa tem dificuldade para emagrecer, a pergunta não deve ser apenas se ela está seguindo a dieta. Precisamos avaliar como dorme, como está a saúde emocional, quais medicamentos utiliza e se existem condições clínicas que precisam ser tratadas. O cuidado precisa olhar para a pessoa como um todo”, diz.
Alterações hormonais podem influenciar o peso, mas não explicam a maior parte dos casos. Hipotireoidismo e síndrome de Cushing, por exemplo, podem contribuir em situações específicas, enquanto a menopausa pode favorecer mudanças na composição corporal e maior acúmulo de gordura abdominal.
Por que o peso pode voltar?
Depois do emagrecimento, o organismo pode responder com aumento da fome, redução da saciedade e diminuição do gasto energético, o que ajuda a explicar o chamado efeito sanfona. Por isso, perder peso e manter o resultado são etapas diferentes do tratamento.
Atividade física regular, preservação da massa muscular, alimentação sustentável e acompanhamento profissional ajudam a reduzir o risco de recuperação do peso. Em muitos casos, o tratamento medicamentoso prolongado também pode fazer parte da abordagem.
Para Thayssa Boechat, não podemos esperar o aparecimento de diabetes, hipertensão ou doença cardiovascular para procurar ajuda. Ganho progressivo de peso, aumento da circunferência abdominal, dificuldade persistente para controlar a alimentação, cansaço excessivo, roncos frequentes e limitações em atividades do dia a dia já merecem atenção.
Fonte: AF Noticias
