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‘Preta feia’: professora sofre ofensa racista de alunos ao passar em frente a escola em Araguaína

Notícias de Araguaína – Uma professora com décadas de atuação na rede pública denunciou ter sido alvo de injúria racial ao ser chamada de “preta feia” por estudantes, enquanto passava em frente a uma escola estadual em Araguaína. O caso ocorreu na quarta-feira (08/04) e, por envolver adolescentes, a identificação dos alunos é preservada, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Segui meu caminho, mas aquilo me atingiu profundamente. Na volta, decidi ir até a escola e pedir respeito. Eles ainda riram, em tom de deboche”, relatou a professora Eliete de Santana, de 50 anos, que está em fase final de carreira rumo à aposentadoria.

De acordo com a educadora, as ofensas partiram de alunos que estavam dentro da unidade escolar, enquanto ela caminhava pela calçada da Rua Ademar Vicente Ferreira. Entre os xingamentos, também foi dito que ela “parece um urubu”.

Após o episódio, a professora procurou a direção da escola, que acolheu a denúncia e informou que adotaria providências. Em seguida, ela registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil.

Impactos emocionais

Após décadas dedicadas à sala de aula, a professora afirma que o episódio provocou forte abalo emocional. “Fiquei com trauma. Não consigo dormir direito. É muito difícil reviver isso”, disse.

Mãe de quatro filhos, sendo dois com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ela também destacou os efeitos psicológicos da violência sofrida. “Isso mexe com a autoestima, com a saúde emocional. A gente passa a ter medo, a se sentir vulnerável”, afirmou.

A educadora ainda ressaltou a gravidade do caso ocorrer no ambiente escolar, espaço que deveria promover valores de respeito. “Racismo se combate com educação. E, quando isso acontece dentro ou a partir de uma escola, é ainda mais grave”, pontuou.

Medidas adotadas

Em documento oficial, a Escola Estadual Professor João Alves Batista confirmou a ocorrência e informou que os estudantes envolvidos foram identificados e receberam suspensão disciplinar de três dias.

Segundo a unidade, a conduta é considerada grave por violar princípios de convivência ética e por se tratar de ato discriminatório. A medida, conforme a escola, tem caráter pedagógico e busca conscientizar os alunos.

Para a educadora, “racismo e ignorância andam sempre de mãos dadas. Todos perdem com a discriminação, o discriminador e o discriminado. Quem sofre é atingido na sua dignidade e na saúde emocional. E quem pratica perde a oportunidade de aprender com o outro, de conhecer suas qualidades, porque se limita a julgar pela cor da pele”, concluiu.

Entenda o caso

A injúria racial ocorre quando uma pessoa é ofendida diretamente com base em sua raça, cor, etnia ou origem, atingindo sua honra individual.

Já o crime de racismo é mais amplo e envolve práticas discriminatórias que atingem coletivamente determinado grupo ou restringem direitos.

Desde 2023, a legislação brasileira equipara a injúria racial ao racismo, tornando o crime inafiançável e imprescritível.

A vítima pode denunciar o caso em uma delegacia da Polícia Civil, registrar boletim de ocorrência (presencial ou online), acionar a polícia em caso de flagrante ou buscar apoio da Defensoria Pública e do Ministério Público. Sempre que possível, é importante reunir provas, como testemunhas, vídeos ou áudios.

Fonte: AF Noticias