
Professor do Tocantins cria tecnologia para ensinar matemática e conquista destaque internacional
Notícias do Tocantins – Uma tecnologia educacional desenvolvida no Tocantins para enfrentar as dificuldades de aprendizagem em matemática conquistou espaço em uma das principais premiações internacionais de inovação na educação. A Kaelo, startup idealizada pelo professor Leidison Lima dos Santos, foi selecionada entre os projetos de destaque do QS Reimagine Education Awards 2026, na categoria Learning Design Excellence, que reconhece iniciativas inovadoras na construção de currículos, metodologias e experiências de aprendizagem.
A conquista coloca uma solução nascida no Tocantins em evidência internacional, ao lado de projetos que buscam transformar a educação com novas tecnologias e abordagens pedagógicas. O evento será realizado em Londres, no Reino Unido, entre os dias 6 e 8 de dezembro, reunindo universidades, pesquisadores, educadores e empresas de tecnologia educacional de diferentes países.
A proposta da Kaelo é enfrentar um problema recorrente nas escolas brasileiras: estudantes que avançam de série acumulando dificuldades em conteúdos fundamentais de matemática, muitas vezes sem que a origem dessas dificuldades seja identificada.
Para isso, a plataforma utiliza inteligência artificial para analisar as respostas dos alunos, identificar lacunas de aprendizagem e localizar habilidades que precisam ser retomadas. A partir desse diagnóstico, a tecnologia orienta atividades individualizadas de recuperação, permitindo que o estudante fortaleça conhecimentos anteriores sem precisar abandonar os conteúdos da série que está cursando.
“A Kaelo nasceu da sala de aula. Como professor, eu percebia que muitas vezes o estudante não tinha dificuldade exatamente no conteúdo que estava sendo trabalhado naquele momento. O problema podia ter começado dois, três ou até mais anos antes, em uma habilidade que não havia sido plenamente consolidada. O grande desafio é descobrir onde essa lacuna começou e conseguir agir sobre ela sem interromper toda a trajetória daquele estudante. Foi dessa inquietação que surgiu a ideia de construir uma tecnologia capaz de ajudar o professor a enxergar aquilo que uma nota, sozinha, não consegue mostrar”, explica Leidison.
Inteligência artificial para identificar dificuldades
A tecnologia trabalha com um mapa estruturado de habilidades matemáticas alinhadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Segundo a Kaelo, sua arquitetura pedagógica reúne mais de 400 habilidades e micro-habilidades conectadas por relações de pré-requisito, permitindo construir percursos individualizados de aprendizagem.
Na prática, a plataforma busca identificar não apenas se o estudante acertou ou errou determinada questão, mas quais conhecimentos anteriores podem estar relacionados à dificuldade apresentada. Um aluno com problemas para compreender frações, por exemplo, pode ter dificuldades acumuladas em divisão ou em conceitos numéricos básicos.
Atualmente em fase de desenvolvimento e validação, a tecnologia prevê aplicações tanto para famílias quanto para escolas e redes públicas de ensino.
Um dos princípios do projeto é preservar o papel do professor, utilizando a inteligência artificial como ferramenta de apoio ao diagnóstico e ao planejamento pedagógico, sem substituir a interação humana ou limitar a aprendizagem às telas.
“Não queremos substituir o professor por inteligência artificial. Queremos devolver ao professor uma informação que seria praticamente impossível produzir manualmente para 30 ou 40 estudantes ao mesmo tempo. A tecnologia precisa trabalhar para a pedagogia, e não o contrário. Quando conseguimos identificar com mais precisão aquilo que cada estudante precisa retomar, o professor passa a ter melhores condições para tomar decisões e conduzir a aprendizagem”, destaca Leidison.
Projeto tocantinense avança em premiação mundial
Promovido pela QS Quacquarelli Symonds, o Reimagine Education Awards reconhece iniciativas que apresentam soluções inovadoras para os desafios da educação.
Na categoria Learning Design Excellence, em que a Kaelo foi selecionada, são avaliados projetos que demonstram originalidade e excelência na organização de currículos, metodologias pedagógicas, atividades e experiências de aprendizagem.
De acordo com as regras da edição de 2026, os projetos selecionados para a shortlist são aqueles que superam a primeira rodada de avaliações e avançam para uma nova etapa de julgamento. Essas iniciativas recebem reconhecimento oficial da organização e passam a integrar o diretório internacional de inovações da premiação.
A seleção considera o perfil das organizações participantes e o estágio de desenvolvimento dos projetos, permitindo que soluções ainda em fase inicial sejam avaliadas de acordo com suas características. Os vencedores serão anunciados durante a conferência internacional, em dezembro.
Para Leidison, a seleção demonstra que tecnologias educacionais desenvolvidas fora dos grandes centros brasileiros também podem conquistar visibilidade internacional.
“Esse reconhecimento mostra que uma solução que nasce no Tocantins, a partir da experiência concreta da escola pública brasileira, pode dialogar com algumas das discussões mais importantes do mundo sobre o futuro da educação. É uma alegria enorme, mas também uma responsabilidade. Nosso objetivo continua sendo muito simples e muito grande ao mesmo tempo: fazer com que nenhum estudante seja definido pelas lacunas que acumulou e que cada um possa ter um caminho possível para aprender matemática de verdade”, afirma.
Com a seleção internacional, a Kaelo amplia sua visibilidade enquanto avança no desenvolvimento e na validação da plataforma. A perspectiva é expandir gradualmente a utilização da tecnologia, inicialmente com estudantes e famílias e, posteriormente, em escolas e redes públicas de ensino.
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Fonte: AF Noticias
