Sem fornecer dados, Tocantins fica fora de levantamento nacional sobre solução de homicídios
Notícias do Tocantins – O Tocantins ficou fora de um levantamento nacional que mede a capacidade dos estados de esclarecer homicídios porque não disponibilizou as informações necessárias para a análise. Além do estado, apenas Alagoas e Rio Grande do Sul não apresentaram dados referentes ao período avaliado.
O diagnóstico foi divulgado pelo Instituto Sou da Paz e ganhou repercussão nacional nesta semana. A pesquisa analisou a investigação de homicídios em 23 estados e no Distrito Federal, revelando diferenças profundas na capacidade do poder público de identificar e responsabilizar os autores desses crimes.
Sem as informações do Tocantins, não é possível saber qual percentual dos assassinatos registrados no estado avançou até a apresentação de denúncia criminal pelo Ministério Público, critério adotado pelo levantamento para considerar um homicídio esclarecido.
A ausência também impede que o desempenho da Polícia Civil, da perícia e das demais instituições tocantinenses seja comparado ao de outros estados, justamente em uma área considerada estratégica para medir a eficiência da segurança pública.
Seis em cada dez homicídios não são esclarecidos
Segundo o Instituto Sou da Paz, cerca de seis em cada dez homicídios registrados no Brasil não são esclarecidos. A taxa média nacional ficou próxima de 40% entre 2020 e 2023.
O levantamento mostra que alguns estados alcançaram índices semelhantes ou até superiores aos observados em países desenvolvidos. Goiás aparece na liderança, com 86% dos homicídios esclarecidos, seguido pelo Distrito Federal, com 81%, Minas Gerais, com 75%, Paraná, com 72%, e Mato Grosso do Sul, com 71%.
Na outra ponta, o Rio Grande do Norte apresentou o pior resultado, com apenas 9% dos casos esclarecidos. Também aparecem nas últimas posições Bahia, com 14%, Rio de Janeiro e Piauí, ambos com 23%, e Ceará, com 27%.
Falta de dados impede avaliação do Tocantins
A exclusão do Tocantins não significa necessariamente que o estado tenha um índice baixo de esclarecimento. O problema é que, sem a divulgação das informações, a sociedade não consegue saber quantos homicídios foram solucionados, quantos permanecem sem autoria identificada e quanto tempo as investigações levaram para avançar.
O levantamento considera fatores como preservação do local do crime, qualidade do registro inicial, continuidade das equipes responsáveis pela investigação, estrutura da perícia, uso de inteligência policial e integração entre os órgãos de segurança e Justiça.
A pesquisa também identificou que estados com maior apreensão de armas, melhores condições socioeconômicas e procedimentos investigativos padronizados tendem a apresentar índices mais elevados de esclarecimento. Em regiões marcadas por desigualdade, violência armada e baixa confiança nas instituições, as investigações enfrentam dificuldades maiores para localizar testemunhas, preservar provas e identificar suspeitos.
O estudo reforça a necessidade de criação e manutenção de uma base nacional padronizada, permitindo que a população acompanhe não apenas quantos homicídios acontecem, mas também quantos autores são efetivamente identificados e levados à Justiça.
Fonte: AF Noticias

