Servidor preso no caso das UPAs nega uso frequente de BMW e cita relação pessoal com empresária
Notícias de Palmas – O ex-superintendente de Atenção à Saúde de Palmas, Andreis Vicente da Costa, contestou as suspeitas levantadas pela Polícia Civil sobre o uso de uma BMW alugada pela empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva, também presa na Operação Falsa Emergência, que investiga supostas fraudes no contrato de R$ 139,1 milhões para a gestão das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Norte e Sul da capital.
Segundo a investigação, Cláudia Fernanda teria atuado como articuladora dos interesses da entidade contratada para administrar as unidades e alugou uma BMW X1 um dia antes da assinatura da justificativa de dispensa de chamamento público que viabilizou a contratação. Para a Polícia Civil, o veículo era utilizado pelo então superintendente e poderia representar uma forma indireta de pagamento de vantagem indevida.
Em nota encaminhada à imprensa, a defesa de Andreis afirmou que a conclusão dos investigadores não encontra respaldo nas provas reunidas até o momento.
“O que a investigação produziu foi uma fotografia de Andreis em um único dia utilizando o veículo, justamente quando se dirigia à garagem da senhora Cláudia para devolvê-lo”, alegou a defesa.
Segundo os advogados, não existe comprovação de uso contínuo da BMW nem de qualquer benefício relacionado ao exercício do cargo público.
Relação pessoal
A defesa sustenta que Cláudia Fernanda mantinha uma relação pessoal com Andreis, sem ligação com sua atuação na Secretaria Municipal da Saúde.
“Cláudia é uma pessoa com quem Andreis passou a ter um relacionamento pessoal totalmente dissociado de qualquer atuação dele no âmbito da Administração Pública”, afirma a nota.
Os advogados também contestam a interpretação de que o uso eventual do veículo possa configurar propina relacionada ao contrato das UPAs.
“Afirma-se que um servidor concursado com duas décadas de funcionalismo público teria recebido como vantagem indevida o fato de usar um veículo alugado. Com todo respeito, é uma conclusão divorciada da realidade”, acrescentou a defesa.
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Empresária também foi presa
Cláudia Fernanda Cândido da Silva foi presa dias após a deflagração da segunda fase da Operação Falsa Emergência. Inicialmente, ela era considerada foragida por não ter sido localizada durante o cumprimento dos mandados expedidos pela Justiça.
A investigação aponta que a empresária participou diretamente das tratativas relacionadas ao contrato firmado entre a Prefeitura de Palmas e a Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Itatiba, entidade responsável pela gestão das UPAs Norte e Sul.
Além dela e de Andreis, também foi presa a então secretária municipal de Saúde, Dhieine Caminski, que posteriormente pediu exoneração do cargo.
Pedido de revogação da prisão
A defesa informou que já protocolou pedido de revogação da prisão preventiva de Andreis e argumenta que ele havia solicitado seu desligamento da Secretaria Municipal da Saúde antes mesmo da deflagração da operação.
“Em razão da investigação, Andreis solicitou sua saída da Secretaria Municipal de Saúde justamente para não existir qualquer tipo de alegação de influência dele naquela Secretaria”, diz a nota.
Investigação continua
A Polícia Civil apura supostos crimes de associação criminosa, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro relacionados ao processo de terceirização das UPAs de Palmas.
Segundo os investigadores, há indícios de que uma situação de emergência teria sido artificialmente construída para justificar a dispensa de licitação e viabilizar a contratação da entidade responsável pela gestão das unidades.
As defesas dos investigados negam irregularidades e afirmam aguardar acesso integral aos autos para apresentar manifestação sobre o mérito das acusações.
Fonte: AF Noticias

