
Transição da oncologia do HGP para o Hospital de Amor deixa 23 pacientes retidos na regulação
Notícias do Tocantins – A transferência dos serviços oncológicos do Hospital Geral de Palmas (HGP) para o Hospital de Amor acendeu um alerta sobre o risco de pacientes ficarem sem atendimento durante a transição. Diante dos problemas identificados, o Ministério Público do Tocantins (MPTO) estabeleceu novos prazos e cobrou providências imediatas do Estado para garantir a continuidade dos tratamentos.
Uma das situações mais urgentes envolve 23 pacientes que aguardavam a primeira consulta e ficaram retidos no sistema de regulação, sem serem incluídos na fila da oncologia clínica do HGP nem do Hospital de Amor. A Secretaria de Estado da Saúde (SES) terá dez dias para regularizar os cadastros e encaminhar essas pessoas à nova unidade, que deverá avaliá-las e definir o tratamento adequado.
As medidas foram estabelecidas durante audiência realizada na quinta-feira (10), na sede do MPTO, em Palmas. A reunião foi conduzida pela promotora de Justiça Araína Cesárea, titular da 27ª Promotoria de Justiça da Capital, e reuniu representantes da SES, do HGP, do Hospital de Amor e dos setores responsáveis pela regulação do Sistema Único de Saúde (SUS).
Pacientes enfrentam demora para confirmar diagnóstico
Outro problema apontado envolve pacientes que vivem em municípios sem estrutura para realizar biópsias e outros exames necessários à confirmação do câncer. Como esses procedimentos são exigidos antes do encaminhamento à oncologia, a falta de estrutura tem provocado atrasos e deixado pacientes sem saber qual unidade deve atendê-los.
Como medida temporária, o Estado deverá assumir, até 17 de outubro, a realização dos exames necessários ao fechamento dos diagnósticos. Nesse período, a SES terá de reunir representantes do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Tocantins (Cosems-TO) e gestores municipais para reorganizar a rede e definir quem será responsável por cada procedimento.
Também até 17 de outubro, a SES, o HGP e o Hospital de Amor deverão elaborar uma nota técnica conjunta com regras claras para o primeiro atendimento de pacientes encaminhados pelo pronto-socorro e pela cirurgia oncológica, além dos critérios exigidos para a confirmação do diagnóstico.
Hospital de Amor tem prazo para ativar estrutura
O Hospital de Amor deverá colocar em pleno funcionamento, até 22 de setembro, a estrutura destinada aos serviços laboratoriais e cirúrgicos.
Já os pacientes que concluírem etapas de quimioterapia ou radioterapia no HGP até 25 de outubro serão transferidos gradualmente para o Hospital de Amor. O encaminhamento deverá ocorrer com alta e relatório médico, para que o acompanhamento continue sem interrupções.
A medida busca aliviar a sobrecarga do HGP, mas a saída de profissionais da oncologia durante a transição preocupa. Com a redução das equipes médicas, o hospital deverá ofertar cerca de 300 vagas a menos neste mês.
Fila de cintilografia chega a 170 pacientes
A audiência também revelou uma demanda reprimida de aproximadamente 170 pacientes por exames de cintilografia. A SES terá 30 dias para informar ao MPTO o andamento do processo de contratação destinado a ampliar a oferta do procedimento.
Em relação aos medicamentos usados nos tratamentos oncológicos, o Estado deverá apresentar, no prazo de dez dias, informações atualizadas sobre 85 itens que estão sendo monitorados.
Fiscalização da transição
O MPTO acompanha a transferência da oncologia desde o início das tratativas. Em reuniões realizadas em junho, a instituição já havia cobrado medidas para assegurar a continuidade dos tratamentos, reduzir as filas, manter o abastecimento de medicamentos e preservar serviços especializados, como oncopediatria, cuidados paliativos e odontologia oncológica.
Com o avanço da migração para o Hospital de Amor, a fiscalização passou a se concentrar também nos fluxos de entrada, na realização dos exames necessários à confirmação do câncer e, principalmente, na situação dos pacientes que ainda não conseguiram acessar o tratamento.
Fonte: AF Noticias
