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Wanderlei cobra lealdade de Coronel Barbosa: ‘Você pode fazer de tudo, menos me faltar com respeito’

Notícias do Tocantins – O rompimento político entre o governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), e o coronel Márcio Barbosa (União Brasil), ex-comandante-geral da Polícia Militar, ganhou contornos de confronto pessoal após o vazamento de mensagens de áudio na noite desta quarta-feira (14/10).

Em uma das gravações, o governador cobra lealdade do antigo aliado, demonstra indignação com sua mudança de posição política e afirma que sempre lhe ofereceu prestígio, confiança e oportunidades durante sua gestão.

A tensão ocorre após o coronel anunciar, no último sábado (10), apoio à candidatura de Vicentinho Júnior (PSDB) ao Governo do Tocantins, rompendo com o grupo político de Wanderlei e da senadora Professora Dorinha (União Brasil), que disputa o segundo turno das eleições estaduais.

No áudio, Wanderlei faz uma retrospectiva da relação com o militar e lembra que ele ocupou duas das funções mais importantes da estrutura de segurança pública do Estado.

“Coronel, durante todo o meu governo você fez parte dele. Como comandante da Casa Militar e comandante-geral da Polícia, você exerceu as duas melhores funções que a Polícia tem. Você teve toda a liberdade para fazer, para escolher, para comprar, para promover a polícia da maneira que você precisava”, afirma.

O governador também relata que convidou Barbosa para integrar o Republicanos e disputar as eleições pela legenda, inclusive com a possibilidade de compor uma chapa majoritária como candidato a vice-governador ou concorrer a deputado federal.

Segundo Wanderlei, o coronel optou por outro partido após avaliar que, no Republicanos, teria dificuldades para conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados.

“Você pode fazer de tudo, menos me faltar com respeito”

Um dos momentos mais contundentes da gravação ocorre quando Wanderlei demonstra sentir-se pessoalmente atingido pelo comportamento do antigo auxiliar.

“A minha família, meu pai, irmãos meus, apoiaram você, alguns deles. A gente tem todo o respeito por você. Você pode fazer de tudo. Menos me faltar com respeito, que eu nunca te faltei”, declara.

Na sequência, o governador questiona os motivos apresentados para o rompimento e associa a insatisfação do coronel aos resultados de seus projetos políticos. “Você não teve sucesso em nenhum dos seus projetos, aí você quer descarregar em alguém porque você quer ir para um outro lado”, afirma.

A declaração evidencia o desgaste de uma relação que, durante anos, foi marcada pela proximidade política e administrativa. Barbosa integrou o primeiro escalão do governo, comandou a Polícia Militar e exerceu a chefia da Casa Militar, funções consideradas estratégicas dentro da estrutura estadual.

Wanderlei rebate falta de apoio político

Outro ponto central do áudio é a tentativa do governador de demonstrar que não abandonou politicamente o coronel durante sua candidatura à Câmara dos Deputados.

Wanderlei afirma que participou de uma reunião de campanha de Barbosa, enquanto sua esposa esteve presente em outra. Segundo ele, esse nível de participação foi reservado a poucos candidatos.

O governador também sustenta que sempre deu respaldo às iniciativas do militar, inclusive em situações que, segundo seu relato, provocaram dificuldades administrativas. “Eu sempre aceitei isso e sempre te dei apoio em todas as ações dentro da Polícia Militar e fora delas”, afirma.

Barbosa disputou uma vaga de deputado federal pelo União Brasil nas eleições de 4 de outubro e recebeu 28.544 votos, ficando na primeira suplência da federação União Progressista. Cinco dias depois do primeiro turno, anunciou sua adesão ao projeto político de Vicentinho Júnior.

“Você quer sair, você sai. É um direito seu”

Apesar das críticas, Wanderlei reconhece que o coronel tem liberdade para escolher seu posicionamento eleitoral. Entretanto, deixa claro que não aceita ser responsabilizado pela decisão do ex-auxiliar.

“Você quer sair, você sai, é um direito seu. O Brasil é um país democrático. Se você quiser ouvir outras forças, você escute”, afirma.

Em outro trecho, o governador volta a cobrar reciprocidade na relação construída ao longo de sua administração. “Se você não tem esse comportamento de lealdade, eu tive com você”, declara.

Ao encerrar a mensagem, Wanderlei insiste que o coronel recebeu tratamento diferenciado durante sua gestão e afirma que seu histórico de apoio e confiança não poderia ser desconsiderado.

Rompimento amplia tensão no segundo turno

O episódio expõe o aprofundamento das divergências dentro do grupo governista em um momento decisivo da disputa pelo Palácio Araguaia.

A saída de Márcio Barbosa ganhou relevância política não apenas pelos cargos que ocupou no governo, mas também por sua ligação com integrantes da Polícia Militar e pelo fato de ter disputado a eleição pelo mesmo partido de Professora Dorinha.

Com a adesão a Vicentinho Júnior, o coronel passou a integrar o campo adversário do governador, que trabalha pela eleição da senadora no segundo turno, marcado para 25 de outubro.

O vazamento do áudio torna pública uma crise que ultrapassa a disputa eleitoral e envolve cobranças pessoais, divergências sobre apoio político e questionamentos sobre a lealdade entre antigos aliados.

Fonte: AF Noticias