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Para Dom Wellington

Que nasceu ali, em Tocantinópolis, na beira do Tocantins, em 11 de julho de 1968, quando a cidade ainda era pequena o bastante para todo mundo saber o nome de todo mundo. Ali, onde a Senhora da Consolação vigia o fim da tarde, cresceu um menino que ainda não sabia que ia caminhar tanto.

Caminhou para Brasília, estudar Filosofia. Caminhou para o Rio, estudar Teologia. Caminhou até Roma, e de lá voltou duas vezes mestre, em Direito Canônico e em Filosofia. Voltou para ser padre em casa, ordenado em 8 de dezembro de 1996, dia da Imaculada, como quem entrega a vida nas mãos da Mãe e pede que Ela faça o resto.

Foi pároco, foi ecônomo, foi juiz da Igreja, foi conselheiro de bispo. Estava em Araguaína quando o Papa Francisco o chamou, em novembro de 2016, para ser bispo de Cristalândia. Chegou prelazia, fez-se diocese, e ele foi o primeiro bispo diocesano daquela terra de rios e lavoura, na região do Araguaia. Dez anos pastoreando gente simples, gente como a de onde ele saiu. A Igreja do Brasil ainda lhe pôs nas mãos o cuidado dos pequenos, à frente da comissão que protege as crianças.

Agora, numa quarta-feira de outubro, mês devotado a Nossa Senhora Aparecida, o Papa Leão XIV o chamou para Cuiabá. Arcebispo. O primeiro filho do Tocantins a receber esse chamado.

Na Igreja, isso não se chama promoção; é missão. Ninguém sobe ao posto de arcebispo; é o posto que desce sobre os ombros de quem aguenta carregar. E Dom Wellington aguenta. Sempre aguentou. A estrada, o estudo, a distância de casa, o peso de decidir e o silêncio de quem reza antes de falar são a prova disso.

Ele mesmo disse, ao receber a notícia, que não leva respostas prontas, leva vontade de escutar. Pois é assim que se reconhece quem caminhou com santidade: não pelo tamanho do passo, mas pela leveza com que pisa.

Eu, que sou da mesma terra e tenho a graça da sua amizade, escrevo estas linhas com o coração cheio. O Tocantins está em festa, e com razão.

Dom Wellington, leve o Bico do Papagaio no bolso da batina, que ele cabe. E saiba que aqui ficam a oração, a saudade e a certeza de que a Senhora da Consolação, que o viu nascer, segue andando ao seu lado.

Parabéns, meu amigo. Que Deus lhe dê caminho longo e pés firmes.

José Wagner Praxedes

Conselheiro decano do Tribunal de Contas do Tocantins

Fonte: Portal Wagner Praxedes