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Bar de Araguaína teria sido usado em golpe de quase R$ 1 milhão; MPTO denuncia oito pessoas

Notícias de Araguaína – Um suposto esquema milionário de fraudes com cartões de crédito, operado a partir de um estabelecimento comercial de Araguaína, no norte do Tocantins, levou o Ministério Público do Tocantins (MPTO) a denunciar oito pessoas por fraude eletrônica e lavagem de dinheiro.

Segundo a investigação, o grupo teria utilizado dados de cartões de terceiros para simular vendas pela internet e receber antecipadamente os pagamentos, causando um prejuízo de R$ 962.984,51 à empresa PagSeguro.

As operações suspeitas ocorreram entre junho e julho de 2023 e teriam movimentado mais de R$ 1 milhão em apenas dois meses. O esquema, conforme a denúncia apresentada pela promotora de Justiça Jeniffer Medrado Ribeiro Siqueira, envolvia vendas fictícias, antecipação de recebíveis e transferências bancárias para diferentes contas, numa tentativa de dificultar o rastreamento do dinheiro.

Bar era utilizado para simular vendas pela internet

De acordo com o Ministério Público, as operações fraudulentas teriam como ponto de partida o Pit Stop Bar, em Araguaína. O estabelecimento, que normalmente realizava vendas presenciais, passou a registrar sucessivas transações virtuais sem correspondência com compras efetivamente realizadas.

Para executar a fraude, os investigados teriam utilizado dados de cartões de crédito obtidos ilegalmente. As informações eram inseridas no sistema de pagamentos para simular compras que, na prática, não existiam.

Após a aprovação das transações, eram solicitadas antecipações dos valores junto à PagSeguro. Assim, o dinheiro das supostas vendas era disponibilizado antes do prazo normal de recebimento.

Na sequência, os recursos eram retirados da conta comercial e distribuídos por transferências via PIX e TED, antes que os verdadeiros titulares dos cartões identificassem e contestassem as operações.

Segundo a denúncia, quando a PagSeguro solicitou documentos que comprovassem as vendas, não foram apresentados registros que demonstrassem a entrega de mercadorias ou a efetiva prestação de serviços.

Transferências de R$ 859 mil chamaram atenção

A investigação também identificou movimentações financeiras consideradas suspeitas, com transferências fracionadas entre contas bancárias de pessoas físicas e empresas.

Para o Ministério Público, essa movimentação teria como objetivo ocultar a origem dos recursos e dificultar a identificação dos beneficiários do esquema.

Um dos pontos de destaque da investigação é a transferência de aproximadamente R$ 859,1 mil para uma conta vinculada a uma das pessoas denunciadas.

A apuração reuniu relatórios de inteligência financeira, informações bancárias e dados telemáticos para reconstruir o caminho percorrido pelo dinheiro e identificar a atuação atribuída a cada investigado.

Ministério Público pede reparação milionária e perda de bens

Com base nas provas reunidas, o MPTO denunciou as oito pessoas pelos crimes de fraude eletrônica, em continuidade delitiva, e lavagem de dinheiro.

Além da responsabilização criminal, o órgão pediu à Justiça que seja fixado o valor mínimo de R$ 962.984,51 para reparação dos danos materiais causados à PagSeguro.

O Ministério Público também requereu a perda de bens, direitos e valores considerados incompatíveis com os rendimentos lícitos de quatro denunciados apontados como principais recebedores e beneficiários das operações, caso sejam preenchidos os requisitos legais para a medida.

A denúncia será submetida à análise do Poder Judiciário. As acusações ainda dependem de apreciação judicial, e os envolvidos têm direito à ampla defesa e ao contraditório.

Fonte: AF Noticias