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Com grandes vazios urbanos, Palmas prepara revisão das regras de ocupação e expansão da cidade

Notícias de Palmas – Com grandes áreas ainda desocupadas em regiões que já possuem infraestrutura urbana, Palmas prepara uma nova revisão das regras que orientam seu crescimento.

A Prefeitura iniciou os trabalhos para atualizar o Plano Diretor da Capital, legislação que influencia diretamente a ocupação dos terrenos, a construção de imóveis, a expansão dos bairros e a distribuição de serviços públicos.

A revisão ocorre em meio a um desafio histórico da cidade: conciliar a ocupação de espaços urbanos existentes com a expansão para novas áreas, evitando o aumento das distâncias, dos custos de infraestrutura e das desigualdades entre diferentes regiões.

O Plano Diretor vigente foi instituído pela Lei Complementar nº 400, de abril de 2018. Agora, oito anos depois, a Prefeitura pretende reavaliar as diretrizes que orientarão o desenvolvimento territorial de Palmas na próxima década.

Embora o processo ainda esteja na fase de estudos e participação popular, suas conclusões poderão ter repercussões para moradores, proprietários de terrenos, construtoras, empresários e investidores do setor imobiliário.

Estudos apontam grandes vazios urbanos e crescimento disperso

A existência de extensas áreas desocupadas não é um problema recente em Palmas. Um estudo científico publicado em maio de 2023 na revista Oculum Ensaios, pelas pesquisadoras Lucimara Albieri de Oliveira, da Universidade Federal do Tocantins (UFT), e Raíssa Sousa e Silva, analisou a relação entre o crescimento populacional, a expansão do perímetro urbano e as regras de ocupação da Capital.

A pesquisa identificou uma cidade marcada pela dispersão territorial, com muitos vazios urbanos, baixa densidade populacional e expressiva segregação socioespacial.

Segundo as autoras, a expansão do perímetro urbano ocorreu de maneira antecipada desde os primeiros anos de implantação de Palmas, contrariando a proposta original de ocupação por etapas e associando-se a processos de especulação imobiliária.

O estudo também apontou um descompasso entre o tamanho das áreas destinadas à urbanização e o crescimento efetivo da população.

Na prática, a cidade se expandiu territorialmente sem que todas as áreas anteriormente abertas à ocupação fossem preenchidas.

Esse modelo traz consequências para o planejamento urbano. Quanto maior a dispersão dos bairros, maior tende a ser a necessidade de ampliar redes de água, energia, iluminação, pavimentação, transporte público e outros serviços para atender à população.

A situação também pode aumentar as distâncias entre moradia, trabalho, escolas e unidades de saúde, especialmente para moradores das regiões mais afastadas.

Problema já havia sido reconhecido pela Prefeitura

A preocupação com os vazios urbanos também apareceu na revisão anterior do Plano Diretor.

Em junho de 2016, durante uma audiência pública, representantes da própria Prefeitura apontaram a existência de grandes áreas ociosas como um dos principais desafios do desenvolvimento territorial de Palmas.

Na ocasião, técnicos municipais discutiram o uso do IPTU progressivo, instrumento previsto na legislação urbanística para estimular o aproveitamento de terrenos que não cumprem sua função social, observados os requisitos legais.

Dez anos depois, a nova revisão recoloca em discussão o modelo de crescimento da Capital.

Uma das questões centrais será definir se o planejamento urbano deverá estimular a ocupação de áreas já dotadas de infraestrutura ou admitir novas possibilidades de expansão territorial.

A discussão também envolve a preservação ambiental. Nem toda área sem construções representa um vazio passível de urbanização, já que existem espaços destinados à proteção ambiental, drenagem, lazer e outras funções coletivas.

O que poderá mudar com o novo Plano Diretor?

O Plano Diretor é o principal instrumento de planejamento territorial do Município. Suas diretrizes orientam as políticas de uso e ocupação do solo, mobilidade, habitação, infraestrutura, desenvolvimento econômico e proteção ambiental.

A revisão poderá resultar em propostas de alteração de regras relacionadas ao aproveitamento dos terrenos, à ocupação de determinadas regiões e à expansão da área urbana.

Também poderá influenciar futuras mudanças na legislação de uso e ocupação do solo e nas normas aplicáveis à construção de imóveis.

Essas decisões têm reflexos sobre o mercado imobiliário, uma vez que as possibilidades legais de utilização de um terreno podem influenciar seu potencial construtivo e seu valor econômico.

A Prefeitura, entretanto, ainda não apresentou alterações específicas de zoneamento, limites construtivos ou ampliação do perímetro urbano como resultado dessa nova revisão. Essas questões dependerão dos estudos técnicos, das propostas formuladas e do processo de discussão pública.

Prefeitura prepara estudos e reuniões com moradores

Os trabalhos começaram a ser organizados em julho deste ano, com a instituição de uma equipe técnica pela Portaria nº 288/2026.

O processo é conduzido pela Secretaria Municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, com participação do Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano (CMDU).

No último dia 13 de outubro, representantes da Prefeitura apresentaram à Câmara Municipal o planejamento e o cronograma da revisão, em reunião com o presidente do Legislativo, vereador Marilon Barbosa, e outros parlamentares.

Segundo o secretário municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, Israel Henrique de Melo Sousa, a revisão deverá considerar as transformações da cidade e as necessidades da população.

“O Plano Diretor é um instrumento que orienta o desenvolvimento da cidade e influencia diretamente a vida da população, desde a organização dos bairros até o acesso à moradia, à infraestrutura e aos serviços públicos”, destacou.

A administração municipal também realizou levantamentos cartográficos com tecnologias de mapeamento para atualizar informações sobre edificações, loteamentos, vias e quadras, que poderão subsidiar o planejamento territorial.

População terá espaço para discutir o futuro da Capital

A programação prevê pelo menos 12 encontros comunitários regionalizados, além de reuniões temáticas, consultas públicas e canais digitais para participação popular.

O cronograma também contempla três audiências públicas em 2027, quando deverão avançar as discussões sobre as propostas de atualização da legislação.

O Estatuto da Cidade, instituído pela Lei Federal nº 10.257/2001, estabelece que os planos diretores devem ser revistos pelo menos a cada dez anos. A legislação permite que o Município antecipe esse processo, conforme as necessidades identificadas.

As propostas resultantes da revisão deverão passar por discussão e votação na Câmara Municipal antes de qualquer alteração legislativa.

Para Palmas, o debate vai além da atualização de uma lei urbanística. Trata-se de definir como a Capital continuará crescendo, quais áreas deverão ser priorizadas para ocupação e de que maneira esse crescimento poderá ocorrer sem aprofundar os problemas de infraestrutura, mobilidade e desigualdade territorial.

Fonte: AF Noticias