Motorista de aplicativo fica no prejuízo após ter carro atingido por veículo oficial do Estado
Notícias do Tocantins – Um motorista de aplicativo, de 47 anos, afirma ter ficado sem qualquer assistência após um acidente causado por um veículo oficial do Estado, que estava a serviço da Secretaria da Saúde do Tocantins. A colisão ocorreu no dia 26 de março, na Avenida Teotônio Segurado, no Plano Diretor Sul de Palmas.
Segundo o relato da vítima, que preferiu não se identificar, a batida aconteceu por volta das 18h, quando o carro oficial atingiu a traseira do veículo que ele utilizava para trabalho. “Estava numa reta, na faixa da esquerda. Tinha chuviscado, e o motorista chegou a alegar que ‘foi culpa da chuva’. Na hora percebi que ele já buscava uma justificativa”, contou.
Imagens feitas após o acidente mostram a traseira do carro do motorista bastante danificada, enquanto o veículo oficial apresentou poucos danos aparentes.
Falta de suporte e identificação
O motorista afirma que o condutor do carro oficial não se identificou nem acionou responsáveis pelo órgão. “Pedi para chamar o chefe de transporte, mas ele disse que eu deveria ir atrás de uma delegacia e fazer um boletim por desacordo. Eu questionei: desacordo de quê?”, relatou.
Ele também afirma que tentou acionar a polícia, mas foi orientado a registrar a ocorrência por conta própria. O boletim foi feito no dia seguinte, de forma online.
Resposta que gerou revolta
Ao tentar resolver o problema administrativamente, o motorista relata ter enfrentado resistência e falta de encaminhamento. Em uma troca de mensagens com um responsável pelo transporte, a resposta recebida aumentou a indignação.
“Perguntei como ficaria o conserto do meu carro, e ele respondeu que ainda não tinha chegado nada da ouvidoria e completou: ‘você tem que ir na defensoria procurar seus direitos’”, afirmou.
Para ele, a resposta demonstra descaso. “Isso revolta. Parece que estão tentando transferir a responsabilidade e empurrar o problema para a Justiça”, disse.
Burocracia e demora
O motorista conta que abriu uma reclamação na ouvidoria ainda no dia seguinte ao acidente, mas foi informado de que o prazo de resposta pode chegar a até 60 dias. Paralelamente, procurou a empresa responsável pelo veículo, a CS Brasil, que solicitou documentos e orçamentos.
“Enviei tudo: boletim, fotos, três orçamentos. Depois disso, não tive mais retorno. Dizem que está na matriz, mas ninguém resolve”, relatou.

Prejuízo e impacto na renda
Sem solução, o motorista teve que arcar com o prejuízo. “O conserto ficou em cerca de R$ 9 mil. Tive que fazer um empréstimo para não ficar sem trabalhar”, afirmou.
Ele explica que depende do veículo como fonte de renda. “Tenho dois filhos estudando fora e comprei o carro financiado para trabalhar com aplicativo. Agora fico com a parcela e sem renda por causa do tempo que fiquei parado”, disse.
Sensação de abandono
A vítima afirma que o caso poderia ter sido resolvido de forma simples. “Era só o responsável ter ido ao local e seguido o procedimento. O que seria algo rápido virou um problema grande, com desgaste emocional e financeiro”, afirmou.
Ele também levanta dúvidas sobre a condução do caso. “Fica a impressão de que tentaram ganhar tempo ou evitar assumir responsabilidade”, disse.
Diante da situação, o motorista informou que deve acionar a Justiça para buscar ressarcimento. “Vou reunir todos os documentos. Só quero meu carro como estava antes para poder trabalhar”, concluiu.
A reportagem solicitou posicionamento ao Governo do Tocantins, mas não houve retorno até a última atualização desta matéria.
Já a CS Brasil informou, por meio de nota, que “vai apurar o caso e adotará as medidas necessárias para a resolução da questão apresentada”.
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Fonte: AF Noticias
