MPTO investiga nepotismo no Hospital Regional de Gurupi e possível favorecimento a pacientes de Dueré
Notícias do Tocantins – O Ministério Público do Tocantins abriu uma investigação para apurar uma possível prática de nepotismo na direção do Hospital Regional de Gurupi e a suspeita de favorecimento a pacientes do município de Dueré na regulação de leitos e na fila de cirurgias.
O Procedimento Preparatório nº 3987/2026, registrado sob o número 2026.0003563, foi instaurado em 8 de julho de 2026, com prazo inicial de conclusão previsto para 8 de outubro. O ato foi publicado na edição nº 2427 do Diário Oficial do MPTO.
A apuração teve origem em uma denúncia anônima encaminhada à Ouvidoria. Os investigados são o Hospital Regional de Gurupi, a Secretaria Estadual da Saúde e as servidoras Mariana da Silva Coelho e Marciana da Silva Coelho.
Segundo a representação, Mariana, que também exerce mandato de vereadora em Dueré, ocupa a função de diretora administrativa e financeira do Hospital Regional de Gurupi. A irmã dela, Marciana, foi designada para a Coordenação de Enfermagem da Clínica Cirúrgica e Eletiva da mesma unidade.
A Secretaria Estadual da Saúde confirmou ao Ministério Público que Mariana exerce o cargo comissionado de Diretora Administrativa e Financeira de Unidade Porte 3, classificado como DAS-4. A nomeação ocorreu pelo Ato nº 3.362-NM.
A pasta confirmou ainda que Marciana é servidora contratada temporariamente e foi designada coordenadora de Enfermagem da Clínica Cirúrgica e Eletiva a partir de 5 de janeiro de 2026. A designação foi feita pela Portaria interna HRGurupi nº 02/2026.
As fichas cadastrais encaminhadas pela Secretaria também confirmaram que Mariana e Marciana são filhas dos mesmos pais.
O vínculo familiar, por si só, não permite concluir automaticamente pela existência de nepotismo. Para que a prática seja caracterizada, o MP pretende esclarecer quem realizou a designação de Marciana, qual é a estrutura hierárquica do hospital e se a coordenação ocupada por ela está subordinada direta ou indiretamente à diretoria exercida pela irmã.
Por isso, o Hospital Regional e a Secretaria da Saúde terão de apresentar, no prazo de 15 dias, a íntegra da Portaria nº 02/2026 e identificar a autoridade responsável pela nomeação.
O MP também requisitou o organograma completo da unidade e informações sobre a relação hierárquica entre a Diretoria Administrativa e Financeira e a Coordenação de Enfermagem da Clínica Cirúrgica e Eletiva.
Outro eixo da investigação é a denúncia de favorecimento a pacientes de Dueré. Para verificar se houve tratamento privilegiado, a Promotoria pediu dados sobre os critérios utilizados na regulação de leitos e na priorização da fila cirúrgica.
O hospital deverá apresentar números comparativos de atendimentos, separados pelo município de origem dos pacientes, abrangendo o período em que as duas investigadas estão nas respectivas funções.
A Câmara Municipal de Dueré também foi oficiada. O Legislativo deverá informar se a Lei Orgânica municipal permite que uma vereadora acumule o mandato com um cargo comissionado remunerado no Governo do Estado.
A Câmara terá ainda de esclarecer se Mariana se afastou ou pediu licença do mandato para assumir o cargo no Hospital Regional de Gurupi.
O Ministério Público ressaltou que os elementos reunidos até agora são insuficientes para uma conclusão. A investigação pretende identificar a autoridade responsável pela designação, a eventual relação de subordinação e se há dados concretos que sustentem a denúncia de favorecimento.
Não existe, até o momento, decisão que reconheça nepotismo, improbidade ou privilégio na fila de atendimento.
Fonte: AF Noticias

