Prédio em Palmas troca 13º andar por ’12+1′ e levanta debate: superstição, marketing ou política?
Notícias do Tocantins – Um detalhe na construção de um dos prédios que se destacam no cenário de verticalização de Palmas virou assunto nas redes sociais e abriu uma discussão que vai muito além da arquitetura. No Urban Átrio, empreendimento erguido na região da 202 Sul, a sequência de identificação dos pavimentos chama atenção: depois do 12º andar aparece o “12+1”. Em seguida, vem o 14º.
Na prática, o 13º pavimento existe. O que desapareceu foi o número 13 de sua identificação.
A escolha rapidamente despertou curiosidade e diferentes interpretações nas redes sociais. Entre as hipóteses levantadas estão superstição, estratégia de marketing, preocupação com a aceitação comercial dos apartamentos e até uma possível associação política, já que o número 13 é historicamente ligado ao Partido dos Trabalhadores (PT).
Até o momento, porém, não há elemento público que permita afirmar que a decisão da incorporadora tenha motivação político-partidária. Sem uma explicação oficial da empresa sobre a escolha, qualquer conclusão nesse sentido seria precipitada.
Número 13 é evitado há décadas
A retirada do número 13 da identificação de prédios não é uma invenção brasileira nem nasceu com a polarização política recente.
A prática é encontrada há décadas em hotéis, edifícios comerciais e residenciais de diferentes países, especialmente em locais onde a superstição em torno do número é mais forte. Há empreendimentos em que os elevadores passam diretamente do 12º para o 14º andar.
No mercado imobiliário, a lógica é essencialmente comercial. Se parte dos compradores demonstra resistência a adquirir uma unidade identificada pelo número 13, incorporadoras podem optar por simplesmente alterar a nomenclatura.
O pavimento continua existindo fisicamente. O que muda é a forma como ele é apresentado ao consumidor.
No caso do empreendimento de Palmas, porém, a solução adotada chama ainda mais atenção porque não houve simplesmente um salto do número 12 para o 14. O andar aparece identificado como “12+1”, deixando explícita a tentativa de evitar a utilização direta do 13.
Superstição também pode afetar negócios
Embora pareça apenas uma curiosidade, a escolha toca em uma questão importante para o mercado imobiliário: a percepção do comprador.
Apartamentos localizados em pavimentos equivalentes podem possuir a mesma metragem, padrão construtivo e características semelhantes, mas fatores subjetivos também interferem no comportamento do consumidor.
Número do apartamento, andar, posição solar, vista, localização dentro da torre e até crenças pessoais podem pesar no momento de fechar um negócio de alto valor.
Por esse raciocínio, retirar uma numeração considerada negativa por parte dos consumidores pode funcionar como estratégia preventiva. A empresa elimina uma possível objeção comercial sem alterar estruturalmente o empreendimento.
Por outro lado, no caso do Urban Átrio, o incomum “12+1” também acabou produzindo um resultado que qualquer departamento de marketing conhece bem: atenção.
A numeração virou assunto nas redes, gerou comentários, compartilhamentos e colocou o nome do prédio no centro de uma discussão pública que provavelmente não existiria se o pavimento estivesse simplesmente identificado como 13.
E a política?
É justamente nesse ponto que o episódio ganha uma característica tipicamente brasileira.
No país, o número 13 não carrega apenas uma associação supersticiosa. Ele também está profundamente ligado à política nacional por ser utilizado pelo PT nas urnas há décadas.
Em um ano eleitoral, essa associação se torna ainda mais imediata.
Por isso, internautas passaram a levantar a hipótese de que o uso de “12+1” poderia representar uma manifestação política ou uma tentativa deliberada de evitar um símbolo associado à legenda.
Até agora, entretanto, não existe evidência pública que confirme essa interpretação.
É importante separar dois elementos: uma coisa é o significado que o público atribui à escolha. Outra é a intenção efetivamente existente por trás dela.
Sem manifestação da incorporadora, não é possível concluir se houve motivação política.
Mercado imobiliário em expansão
A discussão ocorre justamente em um momento de forte transformação urbana em Palmas.
A capital tocantinense vem experimentando um processo acelerado de verticalização, com novos edifícios residenciais e comerciais mudando o perfil de diversas regiões da cidade.
O Urban Átrio integra essa nova geração de grandes empreendimentos imobiliários da capital, voltados a um mercado de maior poder aquisitivo e inseridos em uma disputa crescente pela atenção dos compradores.
Nesse segmento, detalhes que parecem pequenos podem ganhar importância econômica.
Um empreendimento imobiliário envolve investimentos elevados e ciclos de venda que podem durar anos. Nesse contexto, qualquer elemento capaz de criar resistência no consumidor pode ser considerado na estratégia de comercialização.
Ao mesmo tempo, marcas do setor trabalham cada vez mais sua presença nas redes sociais. E, ironicamente, a tentativa de evitar um número acabou tornando o prédio ainda mais conhecido.
Fonte: AF Noticias

