Projeto bilionário de mina de ouro no Tocantins abre cadastro para fornecedores da região
Notícias do Tocantins – Empresas do Tocantins poderão se cadastrar para disputar futuras oportunidades de fornecimento de produtos e serviços ao Projeto Monte do Carmo, empreendimento de mineração de ouro planejado pela Hochschild Mining Brasil. A companhia lançou uma plataforma digital que reunirá os processos de cadastramento, envio de documentos, acompanhamento de solicitações e comunicação com possíveis fornecedores.
A abertura do cadastro ocorre em um momento decisivo para o projeto, localizado no município de Monte do Carmo. A Hochschild está desenvolvendo a engenharia detalhada, avaliando equipamentos e estruturando pacotes de contratação relacionados à energia, ao alojamento, à movimentação de terra e à preparação da área da futura mina. A empresa informou, porém, que o projeto ainda deverá ser submetido à aprovação final de seu conselho de administração no terceiro trimestre de 2026.
Isso significa que o cadastramento de fornecedores antecipa a organização da cadeia de suprimentos, mas não representa, por si só, garantia de contratação ou confirmação definitiva do início das obras. A decisão de investimento dependerá da conclusão dos estudos técnicos, ambientais, financeiros e operacionais em andamento.
Projeto foi adquirido por US$ 60 milhões
A Hochschild comprou o Projeto Monte do Carmo da Cerrado Gold em novembro de 2024, por um custo total de US$ 60 milhões. O empreendimento ocupa um conjunto de concessões minerais que abrange aproximadamente 82 mil hectares e possui recursos medidos e indicados estimados em 1,012 milhão de onças de ouro.
O principal depósito mineral é o Serra Alta, situado a aproximadamente dois quilômetros da área urbana de Monte do Carmo. O projeto também está próximo de Porto Nacional e da capital Palmas, além de contar com acesso por rodovia pavimentada e proximidade com a Usina Hidrelétrica Isamu Ikeda.
A companhia já obteve a licença de instalação e vem avançando em estudos de água, meio ambiente, geotecnia, geoquímica, engenharia da cava e infraestrutura elétrica. Também foi assinado um contrato relacionado à linha de transmissão e à rede de distribuição de energia que deverão atender a captação de água e a estrutura necessária durante a eventual construção.
Investimento e empregos ainda dependem de atualização
Em fevereiro de 2025, o Governo do Tocantins anunciou que o projeto poderia receber investimento inicial de US$ 250 milhões e gerar cerca de 2 mil empregos diretos e indiretos. Os números foram apresentados após reunião entre representantes da mineradora e autoridades estaduais.
Essas projeções, contudo, ainda não devem ser tratadas como valores definitivos. A Hochschild está revisando a configuração da unidade industrial, a capacidade da mina e da planta de beneficiamento, o sistema de processamento e o planejamento geral do empreendimento. A companhia espera concluir a atualização econômica antes da decisão final de investimento.
Um estudo de viabilidade elaborado em 2023 pela antiga proprietária estimava produção média de aproximadamente 95,2 mil onças de ouro por ano, durante nove anos. A projeção previa a recuperação de cerca de 856,9 mil onças e investimento inicial de US$ 181,4 milhões, incluindo contingências.
Esse levantamento, entretanto, serve apenas como referência histórica. Desde que adquiriu o ativo, a Hochschild passou a avaliar alterações no projeto, incluindo a possibilidade de adoção integral do processo de lixiviação com carvão ativado, utilização de moinho SAG e ampliação das capacidades da planta e da mina. Por isso, custos, cronograma e volume de produção poderão ser modificados.
Empresas locais entram no radar da mineradora
A nova plataforma atenderá tanto o Projeto Monte do Carmo quanto a mina de Mara Rosa, em Goiás, primeira operação da Hochschild no Brasil. Segundo a empresa, a intenção é ampliar a transparência dos processos de compras e facilitar a participação de empresas instaladas nas regiões onde a mineradora atua.
“Criamos essa ferramenta para nos aproximarmos das empresas nessas regiões, possibilitando que diferentes negócios possam conhecer as oportunidades abertas na HOC e se tornarem parceiros em nossas estratégias de crescimento no país”, afirmou o diretor da Hochschild Brasil, Ediney Drummond.
O especialista de Suprimentos Piero Pacheco afirmou que a companhia pretende priorizar negócios locais sempre que houver condições técnicas e comerciais.
“Nosso objetivo é dar cada vez mais espaço e oportunidade aos negócios das regiões onde estamos. A nova plataforma nos permitirá entregar a todos os nossos parceiros uma ferramenta segura, confiável e fácil de usar, além de uma comunicação muito mais direta e transparente entre a HOC e seus fornecedores”, declarou.
Compras locais chegaram a R$ 24 milhões em Goiás
A mineradora pretende reproduzir no Tocantins a estratégia adotada em Mara Rosa (GO). Mais de 900 empresas já forneceram produtos ou serviços à operação goiana, das quais aproximadamente 200 estão sediadas em Mara Rosa ou no município vizinho de Amaralina.
Somente em 2025, as compras realizadas com empresas dessas duas cidades somaram cerca de R$ 24 milhões, segundo os dados divulgados pela Hochschild.
Caso o Projeto Monte do Carmo seja aprovado e avance para a construção, a demanda poderá envolver empresas de diferentes portes e áreas de atuação. A dimensão efetiva das oportunidades, porém, dependerá do projeto executivo, do cronograma de implantação e dos pacotes que forem formalmente colocados em contratação.
Como se cadastrar
O processo será realizado integralmente pela internet. As empresas interessadas poderão encaminhar informações cadastrais e documentos, acompanhar solicitações e manter contato com o setor responsável pelas contratações.
Para se tornar um fornecedor da Hochschild Mining Brasil, faça o cadastro no portal clicando aqui.
Fonte: AF Noticias

