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Aposta não deu certo: prefeitos que renunciaram para disputar eleição ficam sem mandato no Tocantins

Notícias do Tocantins – Dois prefeitos tocantinenses fizeram uma das apostas mais arriscadas das eleições de 2026: abriram mão definitivamente dos mandatos conquistados nas urnas municipais para tentar chegar ao Legislativo estadual e federal. O resultado, porém, não saiu como planejado.

Josemar Carlos Casarin, o Ksarin (Podemos), deixou a Prefeitura de Colinas do Tocantins para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa. José Salomão (PT) renunciou ao comando de Dianópolis para tentar chegar à Câmara dos Deputados.

Nenhum dos dois foi eleito neste domingo (04/10).

A Constituição Federal estabelece que presidente, governadores e prefeitos que pretendam disputar outros cargos devem renunciar aos respectivos mandatos até seis meses antes da eleição.

Nos dois casos tocantinenses, a decisão teve caráter definitivo: os vice-prefeitos assumiram as administrações até o encerramento dos mandatos, em dezembro de 2028.

Ksarin deixa Prefeitura e termina como suplente

Em Colinas, Ksarin havia sido reeleito prefeito em 2024 com uma votação expressiva: 14.098 votos.

Ele estava apenas no início do segundo mandato consecutivo quando formalizou a renúncia, no começo de abril deste ano, entregando definitivamente o comando do município ao vice-prefeito José Batista Ferreira, o Zé Nagru.

O objetivo era ampliar sua atuação política para todo o Tocantins e conquistar uma das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa.

Nas urnas, entretanto, Ksarin recebeu 10.026 votos, equivalentes a 1,09% dos votos válidos para deputado estadual, e ficou fora das vagas.

Ele terminou como suplente. Em número absoluto de votos, apareceu na 29ª posição entre os candidatos a deputado estadual no Estado. Como a eleição para deputado é proporcional, a ordem nominal de votação não corresponde necessariamente à relação dos eleitos.

O contraste com a eleição municipal chama atenção.

Em 2024, Ksarin recebeu 14.098 votos somente entre os eleitores de Colinas para conquistar novamente a Prefeitura. Dois anos depois, somou 10.026 votos espalhados pelo Tocantins na tentativa de chegar à Assembleia.

Ou seja, sua votação estadual para deputado ficou 4.072 votos abaixo da votação que havia conseguido apenas em Colinas na eleição para prefeito.

A comparação envolve cargos, eleitorados e contextos diferentes e, portanto, não serve para medir diretamente perda de apoio. Ainda assim, mostra a dificuldade encontrada pelo ex-prefeito para transformar uma base municipal expressiva em votação suficiente para um mandato estadual.

José Salomão deixa quarto mandato em Dianópolis

Situação semelhante ocorreu no Sudeste do Estado.

José Salomão, uma das figuras mais tradicionais da política de Dianópolis, renunciou à Prefeitura em 31 de março para disputar uma vaga de deputado federal pelo PT. A saída já havia sido anunciada pelo próprio gestor durante a abertura dos trabalhos da Câmara Municipal, em fevereiro.

Salomão estava em seu quarto mandato como prefeito.

Ele havia comandado Dianópolis entre 2005 e 2012, voltou à Prefeitura após vencer a eleição de 2020 e foi reeleito em 2024, quando recebeu 4.395 votos. Seu novo mandato iria até dezembro de 2028.

Com a renúncia, o vice-prefeito Hormides Rodrigues Neto assumiu definitivamente a administração municipal.

Nas eleições deste domingo, Salomão recebeu apenas 7.725 votos em todo o Tocantins, equivalentes a aproximadamente 0,86% dos votos válidos para deputado federal. Ficou na 20ª posição em votação nominal e não conquistou mandato.

A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, também não conseguiu eleger deputado federal pelo Tocantins. O candidato mais votado do grupo foi Célio Moura, com 22.817 votos. Os oito mandatos ficaram com candidatos do PP, União Brasil, Republicanos, PL, Podemos e PSDB.

Mandatos deixados no início

Há outro aspecto que aumenta o peso político das duas decisões.

Tanto Ksarin quanto José Salomão haviam acabado de ser reeleitos em 2024. Os mandatos começaram em janeiro de 2025 e somente terminariam em dezembro de 2028.

Os dois permaneceram pouco mais de um ano à frente das respectivas prefeituras antes de optar pela disputa estadual de 2026.

A aposta era trocar a força construída no Executivo municipal por uma representação de alcance estadual ou federal.

As urnas mostraram, entretanto, que uma vitória para prefeito, mesmo recente, não significa transferência automática de votos quando o eleitorado, o território da disputa e o sistema eleitoral mudam.

Assim, os dois prefeitos tocantinenses que deixaram voluntariamente seus cargos para disputar as eleições gerais de 2026 terminaram o primeiro turno na mesma situação: sem a Prefeitura que haviam conquistado em 2024 e sem o novo mandato pretendido nas urnas de 2026.

Fonte: AF Noticias