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‘O senhor me colocou na geladeira total. Não vou ficar de traidor’: Coronel Barbosa rebate Wanderlei

Notícias do Tocantins – O coronel Márcio Barbosa (União Brasil), ex-comandante-geral da Polícia Militar do Tocantins, fez duras acusações contra integrantes do governo Wanderlei Barbosa (Republicanos) ao responder a uma mensagem do governador após seu rompimento político.

Em áudio vazado na noite desta quarta-feira (14/10), o militar afirma que foi isolado durante a campanha eleitoral, acusa aliados do Palácio Araguaia de trabalharem contra sua candidatura a deputado federal e denuncia o que classificou como “jogo baixo”.

“O senhor me colocou na geladeira total”, declarou Barbosa, ao rebater as cobranças de lealdade feitas pelo governador em outra gravação.

O coronel reconheceu as oportunidades recebidas durante sua passagem pelo comando da Polícia Militar e pela Casa Militar, mas afirmou que a relação mudou quando decidiu disputar as eleições.

“Na polícia, na Casa Militar, o senhor me deu oportunidade. E quando eu fui entrar na política, na campanha, eu fui pensando que ia ter o apoio do senhor”, relatou.

Acusação de interferência no TRE

Uma das declarações mais graves envolve o julgamento de sua candidatura no Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO).
Barbosa afirma que um secretário do primeiro escalão do governo, juntamente com o deputado federal Ricardo Ayres (Republicanos), teria atuado nos bastidores para conseguir o indeferimento de seu registro eleitoral.

Na ocasião, o TRE-TO havia barrado a candidatura por quatro votos a três. Posteriormente, em 25 de setembro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reformou a decisão e autorizou Barbosa a disputar a eleição.

“A estrutura do governo me atropelou”

O ex-comandante também acusa aliados de Wanderlei de atuarem para enfraquecer sua campanha na reta final da disputa.

Segundo ele, houve uma mobilização para favorecer candidatos do Republicanos, especialmente Fábio Vaz e Ricardo Ayres, com participação de integrantes da estrutura governamental.

Barbosa afirma que seu desempenho nas pesquisas internas indicava possibilidade de eleição, mas que sua campanha teria sido prejudicada na última semana. “Eu não vou ficar de traidor quando, na verdade, me tiraram a oportunidade de ser deputado”, desabafou.

O coronel também relatou dificuldades para receber recursos do fundo eleitoral destinados à sua candidatura pelo União Brasil. Segundo ele, precisou recorrer à direção nacional da legenda para conseguir a liberação de valores, que teriam ficado abaixo do montante inicialmente combinado.

“Eu não tinha mais espaço dentro desse grupo”

Na gravação, Barbosa também menciona a falta de apoio da senadora Professora Dorinha (União Brasil) e afirma que o senador Eduardo Gomes (PL) foi um dos poucos aliados que efetivamente o ajudaram durante a campanha.

O militar, que recebeu 28.544 votos e ficou na primeira suplência da federação União Progressista, anunciou apoio a Vicentinho Júnior (PSDB) no último sábado (10), após deixar a base governista. 

Ao justificar sua decisão, o coronel afirmou que o desgaste político foi resultado de uma sequência de acontecimentos e rejeitou ser tratado como traidor.

“Eu respeito o senhor, sou grato ao senhor, mas acredito que eu servi muito, tanto na polícia, minha instituição, na Casa Militar e politicamente no primeiro turno também ajudei a Dorinha. Só que chega uma hora que você precisa tomar uma decisão. Eu não tinha mais espaço dentro desse grupo”, concluiu.

Fonte: AF Noticias