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Seis anos depois, IDIB ainda não prestou contas do concurso de 2019 em Araguaína, diz MPTO

Notícias de Araguaína  Mais de seis anos depois da realização dos concursos públicos de Araguaína de 2019, o Instituto de Desenvolvimento Institucional Brasileiro, o IDIB, ainda não apresentou a prestação de contas completa sobre o dinheiro arrecadado com as inscrições, segundo o Ministério Público do Tocantins.

A situação é investigada no Inquérito Civil Público nº 2020.0001103, instaurado após denúncia anônima apresentada em fevereiro de 2020.

O procedimento envolve o Contrato nº 37/2018 e os Editais nº 001/2019 e 002/2019, realizados durante a gestão do então prefeito Ronaldo Dimas.

Segundo o MP, até hoje não constam no inquérito informações consideradas básicas para fechar a execução financeira do contrato, como o número definitivo de candidatos pagantes, o valor bruto arrecadado, as despesas efetivamente realizadas, os extratos bancários e o demonstrativo do resultado financeiro.

A Promotoria afirma ainda que o IDIB foi formalmente requisitado a apresentar a documentação financeira em 2021, mas recusou a entrega.

Em fevereiro de 2026, a própria Prefeitura de Araguaína informou ao Ministério Público que também não havia recebido da banca o relatório integral de prestação de contas.

Dinheiro passou a ser arrecadado diretamente pela banca

O contrato original, assinado em novembro de 2018, previa que as taxas de inscrição ingressassem primeiro em uma conta de titularidade do Município de Araguaína.

Depois do encerramento das inscrições e da homologação do número de participantes, os valores seriam repassados integralmente ao IDIB.

Antes da contratação, a Procuradoria-Geral do Município havia emitido parecer afirmando que as taxas de concurso possuíam natureza de receita pública e, por isso, deveriam ser recolhidas ao Tesouro municipal.

O primeiro e o segundo termos aditivos mantiveram essa sistemática.

A mudança ocorreu no terceiro aditivo, assinado em novembro de 2019.

Com a alteração, o dinheiro das inscrições passou a ser arrecadado diretamente em conta vinculada ao próprio IDIB.

Segundo o Ministério Público, o aditivo foi firmado sem estabelecer teto para a remuneração da banca, sem definir o destino de eventual excedente, sem criar mecanismo específico de fiscalização da arrecadação e sem fixar forma ou prazo para a prestação de contas.

A Promotoria também afirma não ter localizado parecer jurídico prévio específico sobre essa mudança.

Boletos indicavam empresa financeira como beneficiária

A investigação começou depois que uma denúncia anônima apontou que as taxas estavam sendo cobradas mediante boletos emitidos pelo Itaú, com a Start Bank indicada como beneficiária e o IDIB como sacador avalista.

Naqueles concursos, as taxas foram fixadas em R$ 95 para cargos de nível médio e técnico e R$ 140 para os cargos de nível superior.

O MP busca descobrir quanto foi efetivamente arrecadado, quais despesas foram pagas com esses valores e se houve eventual saldo depois da execução do concurso.

Essas respostas, segundo a Promotoria, ainda não foram apresentadas de maneira completa.

Tentativa de arquivamento foi rejeitada

O caso chegou a ser encaminhado para arquivamento, mas a medida foi rejeitada pelo Conselho Superior do Ministério Público em outubro de 2025.

O colegiado considerou que a investigação ainda não poderia ser encerrada diante da ausência de uma análise detalhada sobre a prestação de contas e a execução financeira do contrato.

Com isso, o procedimento retornou para novas diligências.

Agora, o promotor Saulo Vinhal da Costa determinou novas providências tanto ao Município quanto ao IDIB.

Prefeitura terá de fazer apuração própria

Na nova recomendação, o Ministério Público orientou o prefeito Wagner Rodrigues a instaurar, no prazo de dez dias, um procedimento administrativo específico para apurar a execução financeira do Contrato nº 37/2018 e dos aditivos.

A apuração deverá contar com a participação do controle interno municipal e ser concluída em até 45 dias.

Caso seja identificada diferença positiva entre o valor arrecadado com as taxas de inscrição e as despesas efetivamente comprovadas, o MP recomenda que o Município cobre o recolhimento desse dinheiro aos cofres públicos, com juros e correção monetária.

Se a documentação necessária não for apresentada, a recomendação prevê a instauração de tomada de contas especial.

IDIB recebe novo prazo para prestar contas

O IDIB também foi novamente requisitado pelo Ministério Público.

A banca terá dez dias para apresentar a prestação de contas completa, incluindo o número de inscrições pagas e isentas, o montante total arrecadado, as despesas realizadas, os extratos bancários e a destinação de eventual saldo.

Além disso, o promotor determinou o envio imediato de uma representação ao Tribunal de Contas do Tocantins.

A íntegra do inquérito será encaminhada ao TCE para que a Corte examine especificamente a execução financeira do Contrato nº 37/2018 e dos três termos aditivos.

Mais de seis anos depois das inscrições, portanto, a principal pergunta da investigação permanece sem resposta documental completa: quanto foi arrecadado com as taxas, quanto foi gasto na execução do concurso e se houve algum valor remanescente.

Fonte: AF Noticias