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Policial civil suspeito de matar filho de vereador em praia é ouvido e responde em liberdade

Notícias do Tocantins – A Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP-TO) confirmou que o policial civil Ronaldo Pereira Rocha, apontado como autor do disparo que matou Luciano Ferreira da Silva, de 28 anos, apresentou-se espontaneamente à polícia, foi ouvido e responde ao inquérito em liberdade.

Segundo a pasta, o agente, que estava de folga no momento do crime, apresentou-se horas depois na cidade de Guaraí. A SSP informou que não houve prisão em flagrante.

Luciano era filho do vereador Lindomar Gomes da Silva (PT), conhecido como Preto das Máquinas, e trabalhava como garçom no estabelecimento onde ocorreu a confusão, na tarde de domingo (19), na Praia de Porto Franco do Araguaia, em Couto Magalhães.

De acordo com relatos de testemunhas, o desentendimento teria começado após o policial chegar ao local com uma caixa térmica contendo bebidas. Conforme a regra adotada pelos bares da praia, os clientes não poderiam entrar com bebidas para consumo nas dependências dos estabelecimentos.

O proprietário teria informado o policial sobre a proibição, momento em que teve início uma discussão. A situação evoluiu para agressões físicas e, durante a confusão, Luciano teria tentado intervir para separar os envolvidos.

O jovem foi atingido por um disparo na região do abdômen. Ele foi socorrido e encaminhado a uma unidade de saúde do município, mas não resistiu aos ferimentos.

Prefeito relata ameaças

O prefeito de Couto Magalhães, Júlio César Brasil (Republicanos), afirmou que estava na praia no momento do crime e declarou que o policial teria discutido com várias pessoas antes do disparo.

Segundo o gestor, Ronaldo foi até o veículo, retornou armado e passou a apontar a arma para os frequentadores.

“O policial discutiu com várias pessoas e se dirigiu ao seu veículo, de onde saiu com uma arma de fogo em mãos, apontando para as pessoas e ameaçando-as”, afirmou o prefeito.

Ainda conforme Júlio César, o policial entrou em luta corporal com Luciano e efetuou o disparo. Depois, teria deixado o local com a arma em mãos, sem prestar socorro.

Um vídeo gravado por testemunhas mostra o momento em que banhistas tentam impedir a saída do suspeito, que consegue deixar o local em um carro.

SSP apura eventual legítima defesa

A Secretaria da Segurança Pública informou que a Polícia Civil instaurou inquérito para esclarecer a dinâmica da ocorrência e apurar a responsabilidade dos envolvidos.

Em nota, a SSP ressaltou que a investigação busca esclarecer “todas as circunstâncias da ocorrência, incluindo a dinâmica dos fatos e eventual configuração de legítima defesa”.

A pasta também informou que “os laudos periciais e demais diligências em andamento irão subsidiar a conclusão do inquérito policial”.

A Corregedoria-Geral da Segurança Pública foi comunicada e acompanha o caso na esfera administrativa.

A apresentação espontânea e a liberação do policial não representam uma conclusão sobre sua responsabilidade. Eventual responsabilização criminal dependerá do resultado das investigações e do andamento do processo judicial.

PT cobra responsabilização

O Diretório Estadual do Partido dos Trabalhadores do Tocantins (PT-TO) divulgou nota de pesar pela morte de Luciano e cobrou a responsabilização do autor do disparo.

Na manifestação, a legenda lamentou a “perda precoce e trágica” do jovem e afirmou que ele era reconhecido por sua postura amigável, carinhosa e respeitosa.

“Desejamos que a Justiça seja feita e que o autor deste violento ato seja prontamente responsabilizado”, declarou o diretório estadual.

O partido também manifestou solidariedade ao vereador Lindomar Gomes da Silva, aos familiares e aos amigos da vítima.

“Que a memória de Luciano seja uma fonte de conforto e força para todos os que tiveram a alegria de conhecê-lo”, completou a nota.

Em nota, a Prefeitura de Couto Magalhães lamentou a morte e afirmou que Luciano era “um jovem amigo, companheiro e admirado por todos pela sua postura e tratamento carinhoso e respeitoso com os outros”.

O corpo de Luciano passou por exames no Núcleo de Medicina Legal de Paraíso do Tocantins antes de ser liberado à família.

Fonte: AF Noticias